BC dos EUA se reúne: para onde vão os juros agora? | Gráfico da Semana

Gráfico da Semana é uma série em que tratamos de um tema de relevância para o mercado global, com um breve comentário do nosso time de análise.

por

Paula Zogbi

Luca Girardi

5 min

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Publicado em

24/7/2026

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Fonte: FactSet. Data de consulta: 24/07/2026. O gráfico compara as expectativas quanto à decisão dos juros até a decisão de dezembro, em relação ao patamar de juros atual, de 3,5-3,75%. 

Após um período de melhora recente nas expectativas, com a trégua na guerra do Irã, reabertura de Ormuz, queda do preço do petróleo e índices de inflação indicando deflação além da prevista nos EUA, a situação novamente se acirrou. O retorno do conflito e a abertura de uma nova frente, no estreito de Bab El Mandeb têm se refletido nos juros, e a próxima decisão de política monetária do Banco Central dos EUA (Fed) acontece na semana que vem.  O que podemos esperar, neste contexto? Estamos diante de um aumento iminente de juros?

Vale lembrar onde estávamos. Antes da guerra do Irã, o debate girava em torno do "pouso" da economia americana: seria suave (soft landing) ou abrupto (hard landing)? O Fed estava mais preocupado em não deixar o mercado de trabalho enfraquecer demais, e por isso o mercado apostava em cortes de juros, enquanto a inflação caminhava devagar rumo à meta de 2%. Esse cenário mudou completamente quando o conflito no Oriente Médio estourou, em 28 de fevereiro. O choque de oferta disparou os preços do petróleo e do gás, a inflação acelerou e abriu espaço para manutenção e até para altas de juros. Foi essa virada que mostramos no nosso último Gráfico da Semana sobre o tema.

Desde então, EUA e Irã assinaram um acordo temporário que previa o fim das hostilidades, alívio de sanções e a reabertura do Estreito de Ormuz pelo prazo de 60 dias. O prêmio de risco embutido no preço do petróleo diminuiu, o Brent recuou para a região dos US$ 70/barril e a perspectiva para os juros melhorou um pouco. Ainda era de aumentos de juros até o fim do ano, dado que a inflação ao consumidor de maio (CPI) estava em 4,2% em doze meses, mas, conforme o gráfico mostra, as perspectivas de manutenção saltaram de 10% para quase 25% em junho. 

O respiro durou pouco. No dia 7 de julho, o acordo ruiu: os EUA voltaram a atacar alvos no Irã, o Estreito de Ormuz voltou a ser fechado e o petróleo disparou novamente. O mercado, embora receoso, se animou diante dos dados de inflação de junho, divulgados pouco depois, que indicaram que a queda dos combustíveis com a trégua havia provocado deflação acima da prevista, levando o CPI a 3,5%. As expectativas de manutenção de juros até o fim do ano saltaram para quase 30%, diante da ideia de que, caso esse novo conflito não se estendesse muito, o cenário inflacionário poderia melhorar antes do previsto.
Desde então, a situação piorou ainda mais, com a entrada de um novo ator nesse teatro de guerra: os houthis, grupo iemenita alinhado ao Irã. O grupo declarou um bloqueio marítimo à Arábia Saudita, um dos únicos produtores da região que possui alternativas ao escoamento por Ormuz, por meio de seus oleodutos no mar Vermelho, atacando navios sauditas no Estreito de Bab el-Mandeb. Ou seja, agora há dois gargalos ao petróleo sob risco ao mesmo tempo (Ormuz e Bab el-Mandeb), o que ajuda a explicar por que o preço atingiu a marca dos US$ 100 o barril nesta semana. 

Esse choque de energia respinga diretamente na inflação, e, portanto, nos juros. O presidente do Fed, Kevin Warsh, deixou claro que não vê "missão cumprida" e que o banco central "não tem tolerância" com inflação persistentemente alta. 

É nesse ambiente que o FOMC se reúne na semana que vem (28 e 29 de julho). O mercado ainda acha mais provável (64%) que o Fed mantenha os juros na faixa atual de 3,50%-3,75% nessa reunião, mas a chance de uma elevação segundo o consenso de mercado já é significativa (36%).  Olhando adiante, até o fim do ano, mais de 90% das apostas são de elevação de juros, com o mercado já apostando majoritariamente em ao menos duas elevações até dezembro. 

A porta para "juros mais altos por mais tempo" segue aberta.

Paula Zogbi

Estrategista-chefe da Nomad, tem mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro, foi head de conteúdo na XP, analista na Rico e jornalista na InfoMoney e EXAME. É graduada em jornalismo pela USP e tem certificação CNPI pela Apimec.

Luca Girardi

Graduado em Economia no Ibmec-SP, com passagens de estágio em análise macroeconômica na Wagner Investimentos e em planejamento financeiro na Sugoi. Possui a certificação CGA (Certificação de Gestores ANBIMA) e CNPI pela Apimec.

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