
Os resultados do segundo trimestre de 2026 (Q2 2026) de Microsoft, Amazon, Alphabet e Meta novamente mostraram uma aceleração no investimento de capital (capex), seguindo o mesmo movimento dos últimos trimestres, adicionando bilhões coletivamente a suas projeções de gastos para este ano.
No início de 2026, a perspectiva já era significativa: US$ 700 bi seriam gastos por essas quatro companhias durante 2026. Com a nova revisão, esse total subiu para US$732. Para 2027, os guidances são de investimentos ainda maiores. O questionamento inevitável, que vem justificando uma forte correção do setor de tecnologia nas bolsas, é: para onde vai e de onde virá tanto dinheiro?
Para onde?
O aumento nos gastos é diretamente atribuível às crescentes demandas de infraestrutura da inteligência artificial (IA). As empresas estão em uma corrida para garantir capacidade em data centers, GPUs avançadas e a energia necessária para suportar tanto o desenvolvimento interno de modelos de IA quanto a crescente demanda externa de seus clientes de cloud computing (serviços de nuvem).
Nesta corrida, ainda sem vencedores definidos e em estágio inicial, a premissa das companhias é de que, se diminuírem o ritmo e um competidor se destacar, boa parte do que já foi investido em anos anteriores pode se perder.
Além disso, o equipamento para treinamento e operação de IA tem avançado muito de uma geração para outra, com uma obsolescência acelerada, estimulando cada vez mais gastos com aumento de poder computacional e eficiência energética.
De onde?
Nesse cenário, os receios do mercado se concentram em como as companhias irão custear esses investimentos e quanto tempo demorarão obter retorno financeiro positivo com eles, caso obtenham. Essas questões dependem de vários fatores, como quantos vencedores existirão no final, como será a monetização de toda essa infraestrutura e, claro, a capacidade dessas companhias de seguirem gerando caixa com seus outros negócios (e de se endividarem).
Este é o empreendimento privado mais caro da história, superando todas as missões Apollo somadas e trazidas a valor presente somente em 2026. A situação financeira é confortável e seus negócios principais são verdadeiras fortalezas em geração de caixa, mas, para financiar a empreitada, o endividamento das maiores companhias dos EUA vem crescendo, e o mercado segue reticente.
Os balanços corporativos apresentados conforme o esperado têm sido penalizados no mercado de ações. As Big techs que entregaram números acima do previsto veem pouca movimentação positiva nas cotações. Na nossa visão, a revolução da IA apenas começou, e não é o momento de ficar de fora da tese - mas balancear é importante, garantindo diversificação setorial, geográfica e de classe de ativos.




