Gastos de IA são revisados para cima (de novo): o que esperar? | Gráfico da Semana

Gráfico da Semana é uma série em que tratamos de um tema de relevância para o mercado global, com um breve comentário do nosso time de análise.

por

Paula Zogbi

Luca Girardi

5 min

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Publicado em

31/7/2026

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Fonte: FactSet. Data de consulta: 31/07/2026. O capex de Microsoft (MSFT) foi reduzido de US190bi para US$175bi, mas na prática, o valor foi mantido, sendo apenas uma mudança contábil em seu cálculo. 

Os resultados do segundo trimestre de 2026 (Q2 2026) de Microsoft, Amazon, Alphabet e Meta novamente mostraram uma aceleração no investimento de capital (capex), seguindo o mesmo movimento dos últimos trimestres, adicionando bilhões coletivamente a suas projeções de gastos para este ano.

No início de 2026, a perspectiva já era significativa: US$ 700 bi seriam gastos por essas quatro companhias durante 2026. Com a nova revisão, esse total subiu para US$732. Para 2027, os guidances são de investimentos ainda maiores. O questionamento inevitável,  que vem justificando uma forte correção do setor de tecnologia nas bolsas, é: para onde vai e de onde virá tanto dinheiro?

Para onde?

O aumento nos gastos é diretamente atribuível às crescentes demandas de infraestrutura da inteligência artificial (IA). As empresas estão em uma corrida para garantir capacidade em data centers, GPUs avançadas e a energia necessária para suportar tanto o desenvolvimento interno de modelos de IA quanto a crescente demanda externa de seus clientes de cloud computing (serviços de nuvem). 

Nesta corrida, ainda sem vencedores definidos e em estágio inicial, a premissa das companhias é de que, se diminuírem o ritmo e um competidor se destacar, boa parte do que já foi investido em anos anteriores pode se perder. 

Além disso, o equipamento para treinamento e operação de IA tem avançado muito de uma geração para outra, com uma obsolescência acelerada, estimulando cada vez mais gastos com aumento de poder computacional e eficiência energética. 

De onde?

Nesse cenário, os receios do mercado se concentram em como as companhias irão custear esses investimentos e quanto tempo demorarão obter retorno financeiro positivo com eles, caso obtenham. Essas questões dependem de vários fatores, como quantos vencedores existirão no final, como será a monetização de toda essa infraestrutura e, claro, a capacidade dessas companhias de seguirem gerando caixa com seus outros negócios (e de se endividarem). 

Este é o  empreendimento privado mais caro da história, superando todas as missões Apollo somadas e trazidas a valor presente somente em 2026. A situação financeira é confortável e seus negócios principais são verdadeiras fortalezas em geração de caixa, mas, para financiar a empreitada, o endividamento das maiores companhias dos EUA vem crescendo, e o mercado segue reticente. 

Os balanços corporativos apresentados conforme o esperado têm sido penalizados no mercado de ações. As Big techs que entregaram números acima do previsto veem pouca movimentação positiva nas cotações. Na nossa visão, a revolução da IA apenas começou, e não é o momento de ficar de fora da tese - mas balancear é importante, garantindo diversificação setorial, geográfica e de classe de ativos.  

Paula Zogbi

Estrategista-chefe da Nomad, tem mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro, foi head de conteúdo na XP, analista na Rico e jornalista na InfoMoney e EXAME. É graduada em jornalismo pela USP e tem certificação CNPI pela Apimec.

Luca Girardi

Graduado em Economia no Ibmec-SP, com passagens de estágio em análise macroeconômica na Wagner Investimentos e em planejamento financeiro na Sugoi. Possui a certificação CGA (Certificação de Gestores ANBIMA) e CNPI pela Apimec.

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