- Em agosto de 2026, o dólar ficou em R$ 5,16, uma alta frente ao valor de R$ 5,11 registrado em julho.
- A alta refletiu principalmente riscos domésticos, como a incerteza da eleição presidencial e a saída de capital estrangeiro da bolsa, além de tensões externas ligadas ao conflito entre Estados Unidos e Irã e ao tom mais duro do Federal Reserve.
- Nossa projeção é de dólar perto de R$ 5,40 para 2026 e R$ 5,50 para 2027, com viés de alta.
Em agosto de 2026, o dólar voltou a subir frente ao real e fechou o mês cotado, em média, a R$ 5,16, uma alta de cerca de 0,9% sobre a média de julho (figura 1). Desde a mínima registrada em maio, a moeda americana vem oscilando em patamar mais elevado, com uma única pausa em julho, quando recuou levemente ante junho. O principal motor da alta em agosto foi o grupo de "outros fatores" (barra bege na figura 2), que reúne sobretudo riscos domésticos como a incerteza da eleição presidencial e a forte saída de capital estrangeiro da bolsa. A aversão ao risco global (barra azul na figura 2) também contribuiu para a alta do dólar, refletindo as tensões recorrentes entre Estados Unidos e Irã em torno do Estreito de Ormuz e o tom mais duro adotado pelo Federal Reserve no fim do mês.
Os demais fatores, no entanto, puxaram na direção contrária e ajudaram a conter um avanço ainda maior da moeda americana. As commodities (barra amarela clara na figura 2) tiveram a contribuição negativa mais relevante do mês, puxadas pelas quedas do petróleo em diversos momentos de agosto. A força global do dólar medida pelo DXY (barra amarela forte na figura 2) também pesou contra a alta, já que a moeda americana chegou a perder força lá fora ao longo do mês, como no episódio em que o Tesouro dos Estados Unidos anunciou reforço nas recompras de títulos mais longos, aliviando os juros americanos e enfraquecendo o dólar globalmente. O diferencial de juros (barra marrom média na figura 2) seguiu ajudando o real, já que, apesar do corte de 0,25 ponto percentual, a Selic de 14% ao ano continua num patamar bastante elevado, preservando o atrativo da renda fixa brasileira. Por fim, o risco de crédito do país (barra marrom escura na figura 2) teve papel praticamente neutro no mês.


Nossa projeção é de que o dólar termine 2026 perto de R$ 5,40 e feche 2027 perto de R$ 5,50, com viés de alta. Para o que resta deste ano, os principais riscos são a incerteza da eleição presidencial, com predomínio de preocupações fiscais, as tensões geopolíticas no Oriente Médio e a redução do diferencial de juros, com o Brasil cortando a Selic enquanto os Estados Unidos mantêm os juros elevados. Para 2027, pesam a dificuldade do novo governo em costurar um ajuste fiscal consistente, as incertezas domésticas ligadas a esse ajuste e riscos adicionais vindos do cenário externo.




