
Ainda existe uma distância enorme entre o que se fala sobre diversificação internacional e o que de fato acontece nas carteiras. No discurso, investir fora se popularizou. Na prática, o investidor pessoa física brasileiro ainda mantém cerca de 97% do seu patrimônio em ativos domésticos. Ou seja: só 3% lá fora. Diversificação internacional no Brasil, ainda não é consenso, é exceção. O nosso propósito é ajudar os brasileiros a mudarem esse cenário.
Uma pergunta que pode surgir é: mas afinal quanto do meu patrimônio de risco eu deveria dolarizar? É exatamente essa pergunta que o INDI (Índice Nomad de Diversificação Internacional) busca responder. Em agosto, o índice está em 64%, acima da média histórica de 56%. Mas, afinal o que isso significa?
O INDI mensura qual percentual da parcela arrojada da carteira (dedicada a ativos de risco) um brasileiro deveria alocar no exterior para maximizar os benefícios da diversificação. Ele foi construído sobre a teoria moderna de portfólios e olha para dois fatores: correlação entre ativos domésticos e internacionais e volatilidade relativa.
A lógica é a seguinte:
- A correlação entre ativos brasileiros e internacionais é como um se comporta em relação ao outro. Quando os ativos internacionais sobem, como o mercado aqui performa? E vice-versa. Quanto mais independentes forem os movimentos, mais a diversificação entrega e maior tende a ser o índice;
- A volatilidade relativa é o quanto os mercados internacionais oscilam em comparação com o brasileiro. O índice tende a privilegiar menores oscilações, dado que oscilação é basicamente risco;
É nesse primeiro ponto que aparece o efeito mais interessante. Sem considerar o câmbio, a correlação entre Ibovespa e S&P 500 nos últimos 20 anos foi de cerca de 47%: os mercados andam bastante juntos. Mas o cenário muda muito quando com o efeito cambial: a correlação despenca para cerca de 9%, porque em momentos de estresse o dólar historicamente sobe, ao passo que as bolsas caem. O câmbio funciona como amortecedor, e é boa parte da razão pela qual o INDI roda historicamente acima de 50%.
O cálculo é atualizado mensalmente, com janela dos últimos 24 meses e peso maior para os dados recentes. Não é uma opinião sobre o futuro: é uma leitura do comportamento efetivo dos mercados.
O INDI é um termômetro e não deve ser usado como recomendação de investimento ou como sinal para rebalancear a carteira a cada leitura mensal.
A distância entre os 3% praticados e o que os modelos apontam mostram que seu viés pode estar sendo ineficiente para a sua carteira. O INDI não elimina a incerteza, mas transforma uma pergunta subjetiva em um número para acompanhar, questionar e comparar com a própria carteira.




