
A temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 está perto do fim e trouxe um número que chama atenção: a receita das companhias do S&P 500 cresceu 15,0% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. É o maior avanço desde o quarto trimestre de 2021 (16,1%), quando a economia americana vivia o pico da reabertura pós-pandemia, e o segundo trimestre consecutivo de crescimento de receita em dois dígitos.
A receita cresceu 15% e o lucro, 50%
No mesmo trimestre, o lucro do índice cresceu 50,4% — o maior avanço desde o segundo trimestre de 2021 (91,6%), o segundo trimestre seguido acima de 25% e o sétimo consecutivo em dois dígitos. Mas afinal, o que está por trás desse resultado?
Parte dele é contábil. A Alphabet reportou um ganho de US$ 98 bilhões em outras receitas, decorrente principalmente de ganhos não realizados com participações acionárias. A Amazon reportou um ganho de US$ 53,4 bilhões na mesma linha, ligado aos seus investimentos na Anthropic. Nenhum desses valores passa pela receita: são reavaliações de ativos (primordialmente participações societárias).
Esse ganho contábil pode contaminar a análise, mas é mensurável. Excluindo apenas a Alphabet, o crescimento do lucro do índice cai de 50,4% para 38,8%. Excluindo apenas a Amazon, cai para 44,2%. Excluindo as duas, para 32,0%, um resultado impressionante.
Ou seja, mesmo excluindo ambas, o trimestre segue sendo o segundo consecutivo com crescimento de lucro acima de 25% e o sétimo em dois dígitos.
Por que 15% de receita se transforma em 32% de lucro
Aqui está um detalhe interessante do trimestre, e ele não tem nada de contábil. Mesmo depois de retirar Alphabet e Amazon, o lucro cresceu cerca de duas vezes mais rápido que a receita. E isso é explicado pela alavancagem operacional: quando a receita sobe e a estrutura de custos permanece relativamente estável (dado que custos variáveis crescem em menor magnitude que a receita) , cada dólar adicional de faturamento chega ao resultado final com uma margem muito maior do que a média histórica da companhia.
O reflexo aparece na margem líquida. Ela ficou em 16,9% no trimestre, o maior nível desde que a FactSet passou a acompanhar o indicador, em 2009, contra 12,9% um ano antes e uma média de 12,4% nos últimos cinco anos. E não é um fenômeno de duas empresas: 59% das companhias do índice expandiram margem em relação ao mesmo trimestre do ano passado.
No corte setorial, Tecnologia da Informação saiu de 25,2% para 31,6% de margem líquida e Energia, de 7,7% para 13,3%. São setores em que a receita cresceu forte e o custo não acompanhou na mesma proporção, o retrato clássico do efeito.
Onde a receita cresceu
Todos os onze setores do índice reportaram crescimento de receita no trimestre, e cinco deles em dois dígitos. Energia liderou com 42,5%, movimento explicado pela alta do petróleo. Tecnologia da Informação vem em seguida, com 35,9%, puxada por semicondutores e equipamentos de semicondutores demandados pela infraestrutura de IA.
A concentração, porém, também vale para a receita: excluindo Tecnologia da Informação e Energia, o crescimento do índice cairia de 15,0% para 9,7%. Ou seja, dois setores respondem por praticamente um terço do resultado agregado.




