A mudança no panorama dos juros americanos | Gráfico da Semana

por

Luca Girardi

Paula Zogbi

5 min

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Publicado em

25/9/2026

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Fonte: FactSet. Data de consulta: 25/09/2026. O gráfico compara as probabilidades atribuídas pelo mercado a cada faixa de juros na decisão de dezembro, medidas em 25/08 e em 25/09.

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Há um mês, o mercado ainda trabalhava com a ideia de que os juros americanos terminariam 2026 perto de onde estavam. Em 25 de agosto, com a taxa na faixa de 3,50%-3,75%, a aposta mais provável para dezembro era de uma única alta e um em cada quatro investidores ainda acreditava em manutenção (26,1%). Trinta dias depois, o cenário mudou drasticamente: agora, a chance foi para 52,8% de juros entre 4,25%-4,50%, ou seja, mais duas altas até dezembro. O que aconteceu nesse período?

O primeiro empurrão veio de Jackson Hole, o simpósio anual do Fed. Foi o primeiro discurso de Kevin Warsh desde que assumiu a presidência do banco central americano. Warsh teve um tom duro, ao assumir para o Fed a responsabilidade pela inflação alta e afirmar que as condições financeiras “não são restritivas”, além de seguir com sua política de evitar maiores pistas sobre as próximas decisões . 

O segundo veio do Oriente Médio. A guerra entre EUA e Irã, iniciada no fim de fevereiro, completou seis meses sem acordo de paz, e os combates foram retomados em agosto. Em setembro, a escalada foi rápida, com a abertura de uma nova frente de combate no Mar Vermelho. O petróleo Brent voltou a fechar próximo dos US$ 110.

Esse choque de energia segue impactando a inflação. O dado de inflação ao consumidor (CPI) de agosto trouxe alta de 3,4% em doze meses, bem acima da meta de 2% do Fed, além de trazer uma aceleração do núcleo, o que pode apontar que a inflação dos combustíveis começa a se ramificar lentamente pelos serviços.

Com esse cenário, o Fed elevou os juros em 0,25% em 16 de setembro, para a faixa de 3,75%-4%. Foi a primeira alta desde julho de 2023, e por decisão unânime. Na coletiva, Warsh repetiu que a inflação está alta há tempo demais, em mais um discurso duro.

Para o investidor, o recado não mudou: em um cenário tão incerto, a diversificação geográfica, setorial e de classes de ativos ganham ainda mais importância.

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Luca Girardi

Graduado em Economia no Ibmec-SP, com experiência em análise macroeconômica na Wagner Investimentos e em FP&A na Sugoi. Possui a certificação CGA (Certificação de Gestores ANBIMA) e CNPI pela Apimec.

Paula Zogbi

Estrategista-chefe da Nomad, tem mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro, foi head de conteúdo na XP, analista na Rico e jornalista na InfoMoney e EXAME. É graduada em jornalismo pela USP e tem certificação CNPI pela Apimec.

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