
Em poucos meses, o otimismo generalizado em relação à política monetária americana deu lugar a uma postura de cautela. O debate, até então pautado pelo "pouso" da economia americana, mudou completamente com o conflito no Irã e o fechamento de Ormuz.
Antes do início do conflito, a grande discussão no mercado financeiro girava em torno de como seria o "pouso" da economia norte-americana (se suave ou abrupto). Naquele momento, o Federal Reserve ponderava principalmente o risco do mercado de trabalho enfraquecer excessivamente caso as taxas permanecessem altas por muito tempo. É por isso que os dados entre o final de 2025 e o início de 2026 mostram uma forte concentração de apostas em cortes de juros (faixas amarela e azul), refletindo a expectativa de que o Banco Central agiria para proteger o nível de emprego, enquanto a inflação ainda resiliente caminhava aos poucos para a meta.
Com a eclosão da guerra no Irã em fevereiro, a dinâmica do duplo mandato do Fed (promover o pleno emprego e manter a estabilidade de preços) mudou drasticamente. O choque de oferta disparou os preços do petróleo e gás natural, fazendo com que o peso da inflação na balança de decisão do Fed ganhasse protagonismo. O temor de um desaquecimento no mercado de trabalho foi substituído pela urgência de conter uma nova escalada inflacionária. O gráfico ilustra com precisão esse momento, quando as expectativas de corte desabam e abrem espaço para a manutenção (marrom) e o aumento dos juros (bege e oliva).





