
Até o início do ano, o petróleo Brent operava em patamar baixo e relativamente estável, num mercado bem abastecido e sem grandes sobressaltos geopolíticos: o barril estava em US$ 60,75 em janeiro, num ambiente de sobreoferta global. Essa estabilidade acabou em 28/02, quando começou a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. Os ataques à infraestrutura energética do Golfo e as restrições à navegação no Estreito de Ormuz deram a largada para a subida, e o Brent foi a US$ 70,75 em março e depois a um primeiro pico de US$ 118,35 em abril.
Houve um recuo para US$ 90,38, mas a descida durou pouco. Em maio, o petróleo voltou a subir e atingiu nova máxima, US$ 118,03, com o fluxo pelo estreito ainda travado. O ponto de inflexão veio em 17/06, com a assinatura de um memorando de entendimento entre Washington e Teerã. As negociações reduziram o prêmio de risco embutido no preço, e o Brent passou a cair ao longo de jun/26, até chegar a US$ 71,99 no início de jul/26, próximo do nível anterior à guerra.
O cenário mudou novamente nos últimos dias. Em 07/07, pelo menos três petroleiros foram atacados nas proximidades do Estreito de Ormuz, entre eles um petroleiro saudita e um navio de GNL do Catar, em ataques atribuídos ao Irã. No fim do mesmo dia, os Estados Unidos revogaram a licença que autorizava a venda de petróleo iraniano. O mercado, que já dava como certa uma normalização gradual, reagiu com o Brent fechando o dia em alta de cerca de 3%, a US$ 74,16 o barril.
No dia seguinte veio mais uma subida brusca. Os Estados Unidos atacaram alvos no Irã, incluindo embarcações da Guarda Revolucionária no Estreito de Ormuz, e o Irã revidou contra bases militares americanas no Bahrein e no Kuwait. Diante da nova escalada, Trump disse acreditar que o acordo provisório para encerrar a guerra havia chegado ao fim, embora tenha deixado as negociações técnicas em aberto. Com o memorando praticamente rompido, o temor de um conflito maior voltou à tona e o Brent fechou a semana em US$ 79,51.
O episódio mostra que o petróleo segue nessa montanha-russa enquanto o risco geopolítico no Oriente Médio permanecer aceso, com qualquer ataque perto do Estreito de Ormuz capaz de mexer no preço quase de imediato. A tendência é de mais volatilidade nas próximas semanas, com qualquer sinal das partes, positivo ou negativo, gerando movimentos abruptos.




