
O primeiro semestre de 2026 chegou ao fim. O mercado, que no início do ano discutia quantos cortes de juros seriam feitos pelo Fed, viu as reviravoltas da guerra do Irã fazerem o petróleo dobrar de preço, antes de voltar ao patamar anterior nos últimos dias. O foco dos bancos centrais se voltou para o combate à inflação e as curvas de juros se elevaram. Em meio às incertezas, o S&P 500 acumulou alta de 9,5%, enquanto o Ibovespa avançou 6,7%, mas com uma grande dispersão entre os setores.

No Brasil, após encostar nos 200 mil pontos em abril, o Ibovespa perdeu parte do fôlego, encerrando o semestre aos 172.024 pontos. O grande destaque foi o setor de Energia, que entregou uma performance de 27,9%, impactado diretamente pela disparada no preço do petróleo, reflexo imediato do conflito entre EUA e Irã.
Na ponta oposta, o setor de tecnologia no Brasil liderou as perdas, caindo 31%. E é justamente aqui que vemos a maior diferença estrutural com o mercado americano. Enquanto aqui o setor sangrou, nos EUA ele liderou os ganhos do índice com uma valorização de expressivos 32%.
O que explica esse abismo? Essencialmente, a diferença na natureza das empresas e a correlação com a taxa de juros.
- Nos EUA: o setor de tecnologia é dominado por big caps altamente consolidadas. São gigantes que geram muito caixa e estão na fronteira da revolução da tese de Inteligência Artificial;
- No Brasil: o nosso setor de tecnologia é muito menor e composto basicamente por small caps em fase de crescimento. São empresas muito sensíveis à manutenção do custo de capital em patamares elevados - ou seja, Selic alta, desempenho para baixo.
Esse vigor americano, contudo, não foi apenas sustentado por narrativas de IA, mas sim pelos fortes resultados corporativos. A temporada de balanços do 1T26 foi recorde: as companhias do S&P 500 registraram o maior crescimento de lucros na comparação anual (Y/Y) desde o período pós-pandemia, saltando 28,8%. O grande motor dessa expansão foi justamente o setor de tecnologia, com 97% das suas empresas superando as estimativas de lucro do mercado.

A bolsa brasileira segue bastante sensível ao cenário macroeconômico, apoiando-se em setores da velha economia (commodities e bancos), enquanto seus ativos de crescimento sofrem com o altíssimo juro real. Já nos EUA, as companhias têm se beneficiado mais da revolução da IA, com resultados recordes fazendo com que os investidores foquem mais no micro. Para o investidor, o recado do gráfico é claro: na hora de alocar seu capital, entender a composição setorial de cada índice pode ser muito mais importante do que olhar apenas para o resultado do índice cheio.






