Guerra no Oriente Médio | Navegando em meio ao conflito

por

Danilo Igliori

Paula Zogbi

Luca Girardi

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Publicado em

8/5/2026

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Fontes: Trademap e Factset. Data de consulta: 30/04/26. A tabela assume que 100% das exportações da região passam por Ormuz. Embora a Arábia Saudita possua oleodutos para o Mar Vermelho e o norte do Iraque, para a Turquia, quase a totalidade das exportações atravessam o Golfo Pérsico, em especial para os outros produtos.

Nos últimos dois meses, a Operação Epic Fury e o subsequente fechamento do Estreito de Ormuz intensificaram a volatilidade nos mercados globais. O mundo vive hoje a maior restrição da oferta de petróleo da história, segundo a IEA, com impactos diversos. Este material analisa os desdobramentos geopolíticos, os custos militares e os impactos assimétricos na inflação e nos ativos de risco.

Cenário: iniciada em 28 de fevereiro de 2026, a ofensiva dos EUA e Israel resultou na morte do Aiatolá Khamenei e deu início a uma guerra assimétrica com o Irã utilizando de drones, mísseis e principalmente, do controle de Ormuz. Após cinco semanas, um frágil cessar-fogo foi assinado, mas o estreito permanece fechado, sem alternativas escaláveis para o escoamento de itens como combustíveis e fertilizantes.

Custos e infraestrutura: os gastos militares americanos se aproximam de US$ 25 bilhões, com uma pressão sobre os estoques de munições de alto valor . A interrupção logística em Ormuz afeta 20% do petróleo e gás global e 15% da oferta de fertilizantes, impactando severamente países como Japão (com 95% de dependência do Oriente Médio) e Coreia do Sul.

Choque inflacionário e juros: a inflação nos EUA saltou para 3,5% em 12 meses, impulsionada pelos combustíveis. Como consequência, o mercado abandonou as expectativas de cortes de juros em 2026, prevendo o primeiro movimento do Fed apenas para o final de 2027. A postura de cautela deve sustentar juros elevados por mais tempo globalmente, diante da incerteza sobre a duração do choque de oferta.

Comportamento dos ativos: o ouro desvalorizou 13% após o forte rali do ano passado, com bancos centrais compradores revisando sua estratégia com o maior custo de importação de petróleo impactando na balança comercial. O petróleo subiu 66%, refletindo a maior restrição de oferta da história. Enquanto isso, o S&P 500 demonstrou resiliência (+4%), impulsionado por resultados corporativos sólidos e investimentos em IA.

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Danilo Igliori

Economista-chefe da Nomad. Professor do Departamento de Economia da FEA-USP, PhD pela Universidade de Cambridge. Foi um dos fundadores da DataZAP, no Brasil já atuou em empresas como BTG Pactual, Unibanco, Vale, Grupo Zap e OLX, e atuou como consultor em agências internacionais (Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento).

Paula Zogbi

Estrategista-chefe da Nomad, tem mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro, foi head de conteúdo na XP, analista na Rico e jornalista na InfoMoney e EXAME. É graduada em jornalismo pela USP e tem certificação CNPI pela Apimec.

Luca Girardi

Graduado em Economia no Ibmec-SP, com passagens de estágio em análise macroeconômica na Wagner Investimentos e em planejamento financeiro na Sugoi. Possui a certificação CGA (Certificação de Gestores ANBIMA).

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