
Nos últimos meses, a volatilidade e a forte correção de preços testaram a resiliência do setor de criptoativos. Neste material, analisamos as oportunidades e os riscos que moldam o panorama para a classe.
Cenário macro: o cenário macro segue delicado, com a inflação americana ainda resiliente acima da meta, a trajetória da dívida pública que preocupa e o choque nos combustíveis ocasionado pelo fechamento de Ormuz. Os juros de longo prazo dos EUA devem permanecer em patamares elevados, o que tende a ser prejudicial ao fluxo de capital para ativos de risco.
Avanços regulatórios: principal destaque dos últimos dois anos, com os EUA assumindo protagonismo na construção de uma regulamentação para o setor. O GENIUS Act define um marco para stablecoins, levando à entrada de instituições financeiras tradicionais neste mercado. Outras legislações relevantes avançaram, como o CLARITY Act, que visa definir a natureza jurídica dos criptoativos em geral (securitiy vs commodity), não se limitando a stablecoins, reduzindo incertezas e pavimentando o caminho para que grandes alocadores operem com clareza regulatória.
Utilidade e tokenização (RWA): a tecnologia blockchain vem se consolidando como infraestrutura financeira de grandes players. A tokenização de ativos do mundo real (RWA) é destaque, com bancos tokenizando US$ 7 trilhões em garantias e realizando operações de repo com mais eficiência. As stablecoins tornaram-se ferramentas relevantes de liquidez global, superando países como o Brasil na quantidade de Treasuries em reservas, enquanto tesourarias corporativas começam a adotar o Bitcoin, apesar dos riscos de liquidez em ciclos de baixa.
A dificuldade em capturar valor: o mercado atual vêm se fragmentando, com teses modulares (como Ethereum), monolíticas (como Solana), além das diversas blockchains novas de uso específico, como Canton e Provenance. Diante da fragmentação de liquidez e da concorrência de novas infraestruturas, o investidor deve focar no tokenomics e na capacidade de captura de valor real de cada projeto. A gestão de risco torna-se o pilar central, priorizando a adequação ao perfil de investidor e evitando instrumentos alavancados diante da volatilidade acentuada de 2026.





