
Você já deve ter ouvido falar de companhias brasileiras listando ações no exterior, seja com exclusividade ou no que é conhecido como listagem dupla, em ambas as Bolsas. Nubank, JBS, Inter e Picpay são alguns exemplos de uma longa lista, em que há vários casos de sucesso. Mas por que essa decisão?
Olhando para o cenário doméstico, não houve nenhum IPO (Oferta Pública Inicial) no Brasil desde o fim da pandemia, momento em que os juros subiram fortemente e deixaram essa fonte de captação pouco vantajosa para as empresas. Com os juros maiores, a bolsa se torna pouco atrativa para o investidor, que encontra uma relação de risco-retorno mais favorável na renda fixa. Nesse cenário, com menos capital disponível no mercado, a empresa tende a ter dificuldades em vender suas ações a preços mais elevados em um eventual IPO. Mas este é um fator cíclico.
Mais estrutural é o motivo da dimensão dos mercados.. Ao abrir capital nos EUA, empresas se expõem a fluxos de capital do mundo todo. O valor de mercado das bolsas americanas é 73x maior do que o da brasileira, além do volume negociado diário lá ser 100x maior que o local.
Além disso, a própria população americana possui uma cultura de investimento em renda variável: 62% dos americanos investem em ações, enquanto menos de 3% dos brasileiros o fazem. Com grande atratividade global e força em recursos locais, o número de IPOs é muito elevado nos EUA, com cerca de 330 ocorrendo a cada ano, em média, em oposição aos 9, no Brasil.
Nesse cenário, as companhias brasileiras e globais encontram no mercado americano uma oportunidade de captarem recursos em um valuation mais atrativo, além de terem maior facilidade na emissão posterior de bonds no exterior, dado que o IPO nos EUA aumenta sua exposição.








