Qual é o “espaço” para a bolsa americana valorizar em 2026? | Gráfico da Semana

Gráfico da Semana é uma série em que tratamos de um tema de relevância para o mercado global, com um breve comentário do nosso time de análise.

por

Nickolas Lobo

Paula Zogbi

5 min

-

Publicado em

19/1/2026

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A performance de um ativo, de forma geral, é composta por três fatores que consolidam o retorno total: 1) O crescimento efetivo dos lucros (earnings); 2) Os dividendos pagos; e 3) O valuation, que reflete a expectativa de crescimento e o prêmio pago por ela, ou seja, o quanto o mercado está disposto a pagar pelo retorno esperado para uma ação.

Para 2026, a projeção de crescimento de lucros aponta para um aumento de +14% nos números consolidados pelas empresas do S&P500 (estimativa FactSet - consenso e média surpresas nos últimos anos) e crescimento de +1% do dividend yield, que é a relação entre o dividendo pago e o preço da ação. 

Tudo mais constante, isso poderia significar que o índice terá um retorno de +15% em 2026. Mas não é tão simples. Dois fatores principais podem alterar essa equação:

  • Variabilidade dos Lucros: Os resultados podem surpreender negativamente (ex: desaceleração do consumo americano ou redução em investimentos de infraestrutura de IA) ou positivamente, caso os dados reais superem as estimativas.
  • Re-rating ou De-rating: Os múltiplos podem sofrer ajustes devido a mudanças nas expectativas para além de 2026 ou por um aumento na percepção de risco macroeconômico.

Ao iniciarmos janeiro de 2026, o S&P 500 encontra-se em um patamar onde investidores questionam se o atual P/E NTM (preço em relação ao lucro projetado para os próximos 12 meses), de ~22x, é sustentável, dado que o índice negocia bem acima de sua média de 10 anos (18x). 

Contudo, a comparação direta com médias históricas longas pode mascarar a mudança na composição do índice. Hoje, o S&P 500 conta com empresas de maior escala e crescimento do que no passado, o que justifica parte desse prêmio, como já informamos em outro conteúdo. Além disso, o múltiplo atual reflete o otimismo com a tese de IA — focado em ganhos de produtividade e novas receitas (especialmente para as Big Techs) — e a resiliência do consumo americano frente aos desafios macroeconômicos.

No entanto, vale ressaltar que, caso o crescimento seja revisado para baixo, a correção não afetará apenas o período atual, mas também as expectativas subsequentes, impactando os múltiplos. Em um cenário de prêmios elevados, a margem de erro é mínima, tornando o mercado mais sensível e volátil.

  • Cenário de Re-rating (Otimista): Se incentivos fiscais (como o "One Big Beautiful Bill") impulsionarem o Capex das hyperscalers e a monetização da IA se provar robusta, a confiança do investidor pode elevar o múltiplo ainda mais.
  • Cenário de De-rating (Pessimista): Se a inflação persistir, o crescimento da atividade arrefecer ou a meta de +16% de lucro for revisada devido ao enfraquecimento do mercado de trabalho, o mercado pode sofrer um ajuste em direção à média histórica (ex: 19x).

O Resultado Hipotético (exemplo): Retorno Total = 1% (Div) + 12% (Lucro abaixo do esperado) - 10% (De-rating) = aproximadamente 2% de Retorno Total.

À luz desses conceitos, para que 2026 seja um ano positivo, o mercado não precisa necessariamente de uma expansão de múltiplos: ele precisa apenas que eles não caiam. Se o P/E permanecer estável em 22x, os investidores capturarão o retorno integral de 17%. Neste ambiente, a estabilidade do valuation é tão valiosa quanto o crescimento. Portanto, o foco em 2026 deve ser o cumprimento do guidance corporativo e, principalmente, as tendências para 2027, pois a sustentabilidade desse crescimento é o que impedirá a gravidade dos valuations de puxar os preços para baixo.

Nickolas Lobo

Analista de Research da Nomad, com 5 anos de experiência no mercado financeiro, com passagem pela Spectra, Banco Modal e mais de 3 anos trabalhando em equities globais, principalmente no mercado americano, na RXZ Investimentos. É graduado em Economia pelo Insper

Paula Zogbi

Estrategista-chefe da Nomad, tem mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro, foi head de conteúdo na XP, analista na Rico e jornalista na InfoMoney e EXAME. É graduada em jornalismo pela USP e tem certificação CNPI pela Apimec.

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