O primeiro semestre de 2026 revelou uma dualidade entre o otimismo herdado do ano anterior e a instabilidade trazida por novos choques geopolíticos no Oriente Médio. Essa mudança de cenário forçou os bancos centrais a priorizar o controle inflacionário, consolidando juros altos por mais tempo e exigindo dos investidores maior diversificação de teses e geografias.
Macro: o cenário inicial de soft landing e expectativas de cortes de juros foi interrompido pelo fechamento de Ormuz e o consequente choque de oferta no mercado de petróleo. Nos EUA, o Fed suspendeu a flexibilização monetária, enquanto no Brasil o Copom reduziu o ritmo de cortes diante do IPCA persistente e acima do teto da meta.
Renda Fixa: diante de um regime de juros estruturalmente mais altos nos EUA, a preferência recai sobre a parte curta e intermediária da curva, aproveitando yields atrativos de carrego sem o risco de duration longa. No crédito, a forte concentração em inteligência artificial exige seletividade, enquanto a dívida de mercados emergentes oferece oportunidades focadas em prêmios de carrego.
Renda Variável - Estados Unidos: o S&P 500 demonstrou resiliência como maior crescimento de lucros corporativos desde o pós-pandemia, sustentado pela expansão de infraestrutura de inteligência artificial. O cenário segue promissor, mas o ambiente pede cautela, à medida que o mercado passa a reavaliar a sustentabilidade do fluxo de caixa e o volume de Capex das hyperscalers, além do horizonte de retorno sobre investimentos em Inteligência Artificial.
Renda Variável - Brasil: o Ibovespa acumulou alta moderada após atingir máximas históricas, refletindo a forte oscilação do fluxo estrangeiro, que migrou para mercados asiáticos em busca de exposição tecnológica. Embora a Bolsa apresente múltiplos altamente atrativos e descontados perante os pares emergentes, o retorno do capital depende diretamente da melhora do cenário fiscal, de juros locais e do alívio geopolítico.
Criptoativos: o mercado cripto seguiu sofrendo uma forte correção no primeiro semestre, penalizado pelo aumento global do custo de capital e pela consequente aversão a ativos de risco. Apesar da volatilidade de curto prazo, a classe amadurece com avanços regulatórios históricos nos EUA, como o GENIUS Act e o CLARITY Act, que consolidam os fundamentos para o capital institucional.










