Ações Americanas #2: A Nasdaq e o papel das ações na alocação global de capital

Entenda como a Nasdaq funciona, como o preço de uma ação é formado e por que a bolsa americana importa para o investidor brasileiro.

Resumo
  • A Nasdaq, fundada em 1971 como a primeira bolsa eletrônica do mundo, é hoje a segunda maior em valor de mercado e o endereço preferido de empresas de tecnologia como Apple, Microsoft e NVIDIA; um IPO é o processo pelo qual uma empresa abre seu capital para captar recursos sem contrair dívidas.
  • O preço de uma ação é formado pela combinação de informação (resultados, dados econômicos, eventos geopolíticos) e liquidez — quanto mais participantes negociando, mais justo o preço; a volatilidade não é ruído, mas o mecanismo do mercado descobrindo o valor real dos ativos em tempo real.
  • Para o investidor brasileiro, acessar a Nasdaq significa diversificação em uma das bolsas mais líquidas do mundo, com execução de ordens em microssegundos e uso de IA na infraestrutura — mas o alerta de quem opera profissionalmente é claro: acompanhe as redes sociais, mas tome decisões com base em fundamentos.

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Time Nomad

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Publicado em

12/6/2026

Tire dúvidas com IA

Você já parou para pensar o que está acontecendo de verdade quando o preço de uma ação sobe ou desce na tela do seu celular? Para a maioria das pessoas, o mercado de ações parece um lugar de ruído e volatilidade sem lógica aparente. A realidade, como a equipe da Nomad descobriu na sede da Nasdaq em Nova York, é bem diferente.

Neste segundo episódio da série “Ações Americanas”, Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, e Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad, conversaram com Andrew Oppenheimer, Diretor de Ações da Nasdaq, para entender como uma empresa abre seu capital e o que tudo isso tem a ver com o investidor brasileiro.

O que é a Nasdaq e o que a diferencia das outras bolsas

A Nasdaq (National Association of Securities Dealers Automated Quotations) foi fundada em 1971 como a primeira bolsa de valores eletrônica do mundo. O DNA sempre foi tecnologia: ela nasceu para digitalizar um processo que até então acontecia por telefone entre corretores.

Hoje, sediada em um prédio imponente na Times Square, a Nasdaq é a segunda maior bolsa do mundo em valor de mercado total. Enquanto a NYSE concentra uma presença forte de empresas industriais, financeiras e de consumo, a Nasdaq se tornou o endereço preferido de empresas de tecnologia, inovação e crescimento acelerado. Gigantes como Apple (AAPL), Microsoft (MSFT), Amazon (AMZO) e NVIDIA (NVDA) são apenas alguns dos nomes listados lá.

A diferença não é só de perfil de listagens. A Nasdaq opera como uma empresa de tecnologia que também é uma bolsa de valores, e essa característica define como as ordens são executadas, como os preços são formados e como a instituição se mantém à frente do mercado. É esse ambiente que você vai conhecer a seguir.

De uma ideia de garagem a uma empresa listada: o que é IPO

Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad, resume o que motivou a visita à bolsa:

Viemos aqui entender como uma simples ideia que nasce numa garagem se transforma numa empresa gigante de trilhões, listada aqui na Nasdaq. Vamos conversar com representantes para entender como uma empresa abre seu capital, realiza o seu IPO e pulveriza a sua propriedade na mão de milhares, milhões de acionistas.

IPO é a sigla em inglês para oferta pública inicial (Initial Public Offering). É o momento em que uma empresa decide vender parte da sua propriedade para o público em geral por meio da bolsa de valores.

O processo, de forma simplificada, funciona assim:

  1. A empresa decide crescer além do capital próprio. Para expandir, contratar, pesquisar ou adquirir outras companhias, ela precisa de capital. O IPO é uma forma de captar esse recurso sem contrair dívidas.
  2. Ela contrata bancos e assessores financeiros para estruturar a oferta, definir o preço inicial das ações e cumprir todas as exigências regulatórias da SEC, a comissão de valores mobiliários americana.
  3. As ações são listadas na bolsa e passam a ser compradas e vendidas livremente por qualquer investidor.
  4. A propriedade da empresa se pulveriza entre milhares ou milhões de acionistas ao redor do mundo.

Para o investidor, o IPO representa a possibilidade de se tornar sócio de empresas em fases relevantes de crescimento, sejam startups de tecnologia, líderes em biotecnologia ou novas referências em setores emergentes.

Como o preço de uma ação é formado

Esse é o coração do episódio e um dos conceitos mais mal compreendidos por quem está começando a investir.

Os dois pilares do preço: informação e liquidez

Andrew Oppenheimer, Diretor de Ações da Nasdaq, explica:

Os preços das ações são construídos sobre uma base de informação e liquidez. Então, a informação como base para o preço de uma ação são as taxas de lucro, eventos geopolíticos, nos quais estamos vivendo hoje em dia. E então você tem liquidez. Quem está negociando agora? Que tamanho? Quão urgente é a necessidade desses participantes de entrar e sair de posições?

O preço de uma ação não é aleatório. Ele reflete, a cada instante, tudo que o mercado sabe sobre aquela empresa e sobre o mundo. Novos resultados financeiros, mudanças de liderança, tensões geopolíticas, dados econômicos: tudo isso é processado por milhões de participantes ao mesmo tempo.

A liquidez, por sua vez, determina a eficiência desse processo. Quanto mais participantes negociando, maior a competição entre eles, e mais justo tende a ser o preço formado. Oppenheimer explica como a Nasdaq contribui para isso:

Se você tem uma concorrência ampla, vai haver uma competição ainda maior para apertar esse spread, o que torna a negociação mais barata para todos, inclusive para o varejo.

É por isso que a profundidade do mercado americano faz diferença concreta para quem investe: mais participantes significam melhores preços e execuções mais eficientes.

Volatilidade não é ruído, é o mercado trabalhando

Paula muda a perspectiva sobre o que parece caos nas telas:

Quando você olha para uma tela de cotações do mercado, talvez você imagine que esses milhares de preços se movimentando a cada segundo são só ruído. Mas para quem entende bem desse negócio, na verdade isso é geração de valor no futuro sendo precificada a cada instante.

Já Danilo vai além:

No fundo das contas, a volatilidade que assusta tanto o investidor inicial, na verdade, é o mercado trabalhando para encontrar o valor real das ações. É o que chamamos de descoberta do preço. Não é um sorteio. São milhões de pessoas e algoritmos tomando decisões com base em dados, notícias e expectativas em tempo real. É a inteligência do planeta condensada em um ticker.

Volatilidade não é defeito do mercado. É o sinal de que ele está funcionando: incorporando informações novas em tempo real, ajustando expectativas e buscando o valor justo de cada ativo. Entender isso transforma a forma como o investidor reage às oscilações do dia a dia.

A tecnologia por dentro da Nasdaq

Oppenheimer detalha como a infraestrutura da Nasdaq opera:

Somos uma empresa de tecnologia em sua essência, garantindo que temos capacidade, determinismo e baixa latência. Isso oferece confiança à comunidade de negociações de que, se eu enviar uma ordem para a Nasdaq, eu sei exatamente quando ela vai chegar em poucos microssegundos. E esse é o mundo em que vivemos: microssegundos.

Microssegundos. É nessa escala de tempo que as ordens são recebidas, processadas e executadas. Para o investidor comum, isso se traduz em uma execução confiável e preços justos, independentemente do volume negociado.

A camada mais recente nessa infraestrutura é a inteligência artificial. Oppenheimer explica como ela já está incorporada ao sistema:

Na Nasdaq, incorporamos a IA em um tipo de pedido. Temos um tipo de ordem no ponto intermediário que diz para enviar a ordem e não vamos executá-la, nem permitir que ela seja executada até que vejamos o mercado estabilizar e é o momento certo para negociar. E é tudo baseado em IA.

A IA, nesse contexto, não substitui o julgamento do investidor. Ela melhora a qualidade da execução, protege contra movimentos bruscos e busca o momento mais eficiente para concretizar uma operação.

O que o mercado americano representa para o investidor brasileiro

Danilo Igliori resume o que a visita à Nasdaq representa para os clientes da Nomad:

Quando conectamos nossos clientes com ambientes como a Nasdaq, estamos dando acesso a uma das bolsas mais líquidas e dinâmicas do mundo, oferecendo uma diversificação que os brasileiros nunca tiveram antes.

Mas há um alerta importante de Oppenheimer para quem está dando os primeiros passos no mercado americano:

Eu negociei profissionalmente e agora trabalho na bolsa. Até eu me envolvi em algum hype nas redes sociais. O que acontece nas redes sociais com certeza tem muito valor, com certeza tem muito, não vamos descartar isso. Apenas fique atento em movimentos exógenos baseados no aumento da atividade na internet.

O conselho de quem operou profissionalmente e hoje dirige a estratégia de ações da maior bolsa de tecnologia do mundo é direto: acompanhe o que as redes sociais dizem, mas tome decisões com base em fundamentos. Saber distinguir ruído de valor é uma das habilidades mais importantes de qualquer investidor.

Ações americanas, ao alcance do seu celular

O mercado americano não é um lugar de sorte ou intuição. É um sistema construído sobre décadas de regulamentação, tecnologia e liquidez, que trabalha a cada microssegundo para encontrar o valor real dos ativos.

Entender como a Nasdaq funciona, como os preços são formados e o que está por trás de um IPO muda a forma como você olha para o mercado. A volatilidade deixa de ser o inimigo e passa a ser o que sempre foi: o mercado trabalhando.

A série “Ações Americanas”, produzida pela Nomad, continua. No próximo episódio, ainda na Nasdaq, você vai conhecer mais sobre o ambiente de tecnologia e segurança institucional que faz dessa bolsa um dos lugares mais confiáveis do mundo para investir.

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