
A temporada de balanços do primeiro trimestre para as "Sete Magníficas" (Mag 7) tem se mostrado construtiva, embora haja uma clara assimetria nas teses. A estratégia de compra generalizada da cesta de ativos foi deixada de lado e o mercado começou a bonificar às dispersões positivas. O foco vem sendo recompensar a execução sólida e a monetização visível em Inteligência Artificial (IA), enquanto há menor tolerância com empresas que levantam preocupações sobre demanda final ou aumento de capex (despesas de capital).
Ainda assim, o grupo permanece como o pilar de crescimento dos lucros do S&P 500 no trimestre, entregando níveis de crescimento que continuam excepcionais para os padrões de mercado.
Alphabet
- Receita Total: US$ 109,9 bilhões (+22% a/a)
- Receita de Nuvem (Cloud): US$ 20,0 bilhões (+63% a/a)
- Lucro Líquido: US$ 62,6 bilhões (+81% a/a)
A Alphabet registrou um dos resultados mais positivos do trimestre. O sinal mais encorajador foi a materialização de que a demanda estrutural por IA já está se refletindo diretamente no crescimento da divisão de Nuvem, enquanto o buscador (Search) mantém seu ritmo de expansão e o YouTube continua contribuindo positivamente. Vale a ressalva técnica de que o expressivo salto de 81% no lucro líquido foi impulsionado por um ganho contábil de aproximadamente US$ 37 bilhões relacionado a participações acionárias. Ainda assim, a qualidade do balanço justifica o otimismo.
Amazon
- Receita: US$ 181,5 bilhões (+13,1% a/a)
- LPA: US$ 2,78 (vs. US$ 1,63 esperado)
A Amazon demonstrou um crescimento sólido na linha de receita . No entanto, o receio do mercado sobre a empresa se concentra no ritmo de crescimento da AWS (nuvem), na evolução da margem operacional e na eficiência do capex futuro, mais do que em surpresas positivas no lucro.
Meta
- Receita: US$ 47,52 bilhões (+21,6% a/a)
- LPA (Lucro por Ação): US$ 10,44 (vs. US$ 6,67 esperados)
A Meta apresentou a surpresa positiva mais contundente desta safra, demonstrando que tanto a demanda por publicidade quanto a alavancagem operacional continuam a ser fatores favoráveis para a tese. Contudo, a companhia elevou significativamente seu guidance de capex para 2026, projetando gastos entre US$ 125 bilhões e US$ 145 bilhões. Esse fator explica a cautela do mercado no curto prazo, mesmo diante de resultados operacionais tão expressivos.
Microsoft
- Receita: US$ 82,89 bilhões (+18,1% a/a)
- LPA: US$ 4,27 (vs. US$ 4,04 esperados)
A Microsoft entregou mais um trimestre sólido em sua execução. O ponto central do balanço não foi apenas um resultado maior que as estimativas de mercado, mas que as verticais de Nuvem (Cloud) e IA continuam a sustentar um mix de receitas de qualidade. Historicamente, essa dinâmica é o que justifica o prêmio nos múltiplos da companhia em patamares elevados.
Tesla
- Receita: US$ 28,10 bilhões (+11,6% a/a)
- LPA: US$ 0,41 (vs. US$ 0,39 esperado)
Tesla foi o elo mais frágil do grupo até o momento. Embora tenha superado levemente as expectativas de receita e lucro, o grande desafio da companhia reside no valuation muito alto e nas altíssimas exigências de execução por parte dos investidores institucionais. Nesse contexto de baixa tolerância, resultados apenas modestamente superiores às estimativas não são suficientes para gerar um efeito de preço positivo nas ações.





