O mercado tentou trabalhar com o benefício da dúvida, mas Donald Trump não estava blefando — ou estava? Se estava, até que ponto? É justamente essa bateria de dúvidas que deve movimentar o mercado neste mês de março.
Recapitulando, os primeiros dias do mês foram marcados por fortíssima volatilidade no mercado após a efetivação de tarifas de 25% sobre importações do México e Canadá, além do aumento das alíquotas para a China alimentar o medo de uma guerra comercial mais ampla. Dias depois, algumas exceções foram aplicadas, com destaque para o adiamento da efetivação das novas alíquotas no caso do setor automotivo e, em seguida, a suspensão das tarifas sobre boa parte dos produtos vindos do México até 2 de abril.
Um estudo mostrou que, se todas as mudanças já ventiladas pelo presidente forem implementadas, as tarifas sobre importações chegariam a níveis não vistos desde a Grande Depressão, como mostra o gráfico abaixo. Saiba mais no nosso Gráfico Da Semana.

Todas essas idas e vindas mexeram profundamente com o mercado, e não há nenhum sinal de estabilidade. Mais significativo que isso: a administração Trump, que no mandato anterior se mostrou profundamente conectada com os movimentos de Wall Street, deixou bem claro que, desta vez, não tem como prioridade manter o mercado sob controle no curto prazo. O secretário do comércio Howard Lutnick disse isso com todas as letras em uma entrevista nos últimos dias: os movimentos da bolsa não serão os catalisadores das ações do governo.
No pano de fundo, a atividade americana continua dando sinais de desaceleração, com números de consumo e mercado de trabalho abaixo das expectativas, enquanto a inflação permanece insistentemente acima da meta - e as próprias tarifas podem pressioná-la ainda mais. A palavra estagflação começa a aparecer em análises e no noticiário, como um fantasma a ser evitado.
A Bolsa, que passou por um período de euforia após a vitória de Trump, na expectativa de medidas de grande estímulo à economia americana, devolveram todo esse ganho desde a posse. O “Índice do Medo”, que acompanha o mercado de opções para rastrear a busca por proteção entre investidores, atingiu o nível mais alto desde dezembro e o termômetro “Fear and Greed” da CNN, que rastreia o sentimento do mercado por meio de 7 indicadores, passou de “ganância” (sentimento positivo) em novembro para “medo extremo” nos últimos dias, em níveis não vistos desde agosto.
Nada disso significa que é hora de deixar de investir - inclusive, excelentes oportunidades costumam aparecer justamente em períodos como este. Mas, reiterando o que esta Carta Mensal vem falando nos últimos meses: neste cenário, é importante avaliar se sua carteira está blindada, com ativos descorrelacionados e proteções contra a volatilidade do mercado. O ouro tem um dos melhores desempenhos do mercado em 2025 até agora, e ações de setores defensivos vêm superando com folga setores como tecnologia em um movimento de proteção de carteira. A renda fixa americana segue com taxas historicamente atrativas e pode ser um complemento importante para o portfólio, combinando a previsibilidade dos cupons com a proteção em moeda forte. Esteja vigilante e mantenha sua estratégia.







