
Incertezas geopolíticas, shutdown do governo americano, desaceleração da atividade, inflação ainda longe da meta… E o mercado continua otimista. Além das máximas históricas para os índices de ações, outro sinal da aparente apatia dos investidores em relação às incertezas é o VIX, índice de volatilidade implícita da bolsa americana, medido a partir de opções de venda do S&P 500. Também conhecido como “índice do medo”, ele se encontra atualmente em patamares próximos à média, excluindo picos estabelecidos em momentos como a crise do subprime e a pandemia de Covid-19.
Em meio a uma demanda persistente por ouro, que acaba de renovar máximas encostando em US$ 4.000 a onça, e a uma volatilidade dos títulos de longo prazo do Tesouro Americano, o movimento indica que o mercado continua confiante na capacidade de crescimento e geração de receita consistente para as companhias americanas, embora não ignore os riscos de um aumento do endividamento do país (indicado pelo aumento dos yields na renda fixa) e se proteja da possibilidade de diminuição da dominância absoluta do dólar no mercado global (exemplificado pela demanda por ouro, e até pelo Bitcoin, que renovou máximas nesta segunda, 06/10).
O otimismo se apoia especialmente na tese de Inteligência Artificial, que já é responsável por 80% do retorno das ações americanas até agora em 2025, e na expectativa do corte de juros pelo Federal Reserve. Ameaças a estas duas forças podem trazer mais volatilidade à frente, reforçando a importância da diversificação geográfica e setorial para uma carteira bem posicionada.






