Análise mensal do dólar e perspectivas | Outubro de 2026

Confira nossa análise mensal para outubro de 2026.

por

Vitor Kayo

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Publicado em

16/10/2026

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Resumo

  • Em setembro de 2026, o dólar fechou em R$ 5,17, uma leve queda frente aos R$ 5,19 registrados em agosto.
  • A queda refletiu principalmente a forte entrada de capital estrangeiro na bolsa brasileira e o juro ainda elevado no país, mesmo com a maior aversão ao risco global, o fortalecimento do dólar lá fora e a cautela com o noticiário eleitoral pressionando na direção contrária.
  • Nossa projeção é de dólar perto de R$ 5,20 para 2026 e R$ 5,30 para 2027.

Esta análise mensal da Nomad explica os principais movimentos recentes do câmbio e o que esperamos para o futuro.

Em setembro de 2026, o dólar recuou levemente frente ao real e fechou o mês cotado a R$ 5,17, uma queda de cerca de 0,2% ante agosto (figura 1). O movimento interrompeu a alta registrada no mês anterior, embora a moeda americana ainda opere bem acima da mínima registrada em abril. Para entender o que está por trás desse movimento, usamos o nosso modelo de decomposição da variação do câmbio (figura 2), detalhado em "Desvendando o sobe e desce do dólar."

O principal motor da queda foi o grupo de outros fatores (barra bege na figura 2), puxado sobretudo pela forte entrada de capital estrangeiro na bolsa brasileira ao longo do mês, atraída pelo apetite por ações ligadas a commodities e, no fim do mês, pelo alívio trazido pela divulgação do índice de preços PCE nos Estados Unidos, medida de inflação preferida do Federal Reserve, que mostrou desaceleração da inflação americana. O diferencial de juros (barra marrom média na figura 2) também ajudou o real, já que mesmo com o novo corte da Selic, de 14% para 13,75% ao ano, o juro no país segue bastante elevado e continua sustentando o apetite por ativos brasileiros.

Do lado contrário, a aversão ao risco global (barra azul na figura 2) pressionou o dólar para cima ao longo do mês, em meio à escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã e à forte alta dos juros dos títulos americanos, que chegaram a atingir o maior nível desde 2007. A força do dólar no exterior (barra amarela forte na figura 2) seguiu na mesma direção, reforçada pela alta de juros promovida pelo Federal Reserve em setembro, a primeira desde julho de 2023, além de movimentos semelhantes no Banco Central Europeu e no Banco do Japão. O risco de crédito do país (barra marrom escura na figura 2) também teve contribuição positiva para o dólar, refletindo a maior cautela dos investidores com o noticiário político doméstico às vésperas do primeiro turno das eleições. Já as commodities (barra amarela clara na figura 2) tiveram papel neutro no mês, já que o petróleo alternou fortes altas e quedas ao longo de setembro sem uma direção única.

Nossa projeção é de que o dólar termine 2026 perto de R$ 5,20 e feche 2027 em torno de R$ 5,30. Para o que resta deste ano, o principal risco ainda é fiscal e incertezas com relação às políticas econômicas do próximo governo. Embora o mercado tenha precificado com mais otimismo a possibilidade de vitória de um candidato visto como mais favorável a reformas fiscais, não dispomos de planos detalhados e críveis até o momento. As tensões geopolíticas no Oriente Médio seguem no radar, assim como a redução do diferencial de juros, com o Brasil cortando a Selic enquanto Estados Unidos e outras economias avançadas elevam os seus juros. Para 2027, novamente pesa a dificuldade do novo governo em costurar um ajuste fiscal consistente e riscos externos adicionais, como a continuidade do conflito no Oriente Médio e seus impactos inflacionários.

Vitor Kayo

Doutor em Economia pela FGV com 6 anos de experiência na MCM Consultores, atuando em análise macroeconômica, modelagem de cenários e projeções econômicas.

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