Resumo
- Em outubro de 2026, o dólar fechou em R$ 5,44, uma alta de cerca de 5,0% frente aos R$ 5,17 registrados em setembro.
- A alta refletiu principalmente o reposicionamento dos investidores após o resultado do segundo turno das eleições, a maior preocupação com o risco fiscal do país e a aversão ao risco global. O diferencial de juros foi o único fator relevante que atuou na direção contrária.
- Nossa projeção é de dólar perto de R$ 5,50 para 2026 e R$ 5,60 para 2027.
Esta análise mensal da Nomad explica os principais movimentos recentes do câmbio e o que esperamos para o futuro.
Em outubro de 2026, o dólar subiu frente ao real e fechou o mês cotado a R$ 5,44, uma alta de cerca de 5,0% ante setembro (figura 1). O mês teve dois tempos bem distintos. Depois do primeiro turno das eleições, em 04/10/26, o real se valorizou com força e o dólar recuou de forma expressiva. Na reta final, porém, a cautela com a disputa apertada e, sobretudo, o resultado do segundo turno, em 25/10/26, reverteram esse movimento e levaram a moeda americana para cima. Para entender o que está por trás desse resultado, usamos o nosso modelo de decomposição da variação do câmbio (figura 2), detalhado em “Desvendando o sobe e desce do dólar.”

O principal motor da alta foi o grupo de outros fatores (barra bege na figura 2), que reúne, entre outros, o fluxo de capital estrangeiro. Depois do otimismo e da entrada de recursos que se seguiram ao primeiro turno, o desfecho do segundo turno surpreendeu parte relevante do mercado, que estava posicionada para outro resultado. Esse reposicionamento foi rápido e intenso. Houve forte busca por proteção no dólar e uma queda tão violenta da bolsa que as negociações chegaram a ser interrompidas por um mecanismo de segurança. O risco de crédito do país (barra marrom escura na figura 2) foi o segundo fator mais importante e refletiu a incerteza sobre a política fiscal. Os candidatos chegaram ao fim da campanha sem planos fiscais detalhados, e o mercado passou a aguardar sinais sobre a composição da equipe econômica do próximo governo. A aversão ao risco global (barra azul na figura 2) também empurrou o dólar para cima, em meio aos ataques a petroleiros perto do Estreito de Ormuz, à crise política e fiscal na França e às dúvidas sobre o retorno dos investimentos em inteligência artificial, que pesaram sobre as ações de tecnologia nos Estados Unidos. A força do dólar no exterior (barra amarela forte na figura 2) deu uma contribuição pequena na mesma direção, num ambiente de juros americanos elevados, com o Fed tendo subido os juros em setembro e mantido a taxa em outubro.

Do lado contrário, o diferencial de juros (barra marrom média na figura 2) ajudou o real, já que o juro no Brasil segue bastante elevado e continua atraindo investidores. As commodities (barra amarela clara na figura 2) tiveram papel praticamente nulo no mês. O petróleo alternou altas, por causa das tensões no Oriente Médio, e quedas, com a suspensão de novas sanções à Rússia e as notícias sobre possíveis conversas entre Estados Unidos e Irã.
Nossa projeção é de que o dólar termine 2026 perto de R$ 5,50 e feche 2027 em torno de R$ 5,60. Para o que resta deste ano, o principal risco segue sendo o fiscal. Ainda falta um plano crível que melhore as contas públicas e coloque a dívida em trajetória sustentável, e o mercado espera sinais do próximo governo sobre a condução da economia. As tensões geopolíticas no Oriente Médio continuam no radar, assim como a redução do diferencial de juros, com o Brasil em pausa no ciclo de corte de juros enquanto os Estados Unidos e outras economias avançadas os elevam. Para 2027, pesam a dificuldade do próximo governo em costurar um ajuste fiscal consistente, a diminuição do diferencial de juros e os riscos externos, como o prolongamento do conflito no Oriente Médio.



