A alta do dólar nesta sessão reflete principalmente a deterioração do ambiente externo, marcada pela escalada das tensões no Oriente Médio e pelo avanço do petróleo. A alta da commodity, novamente próxima da faixa de US$ 100 por barril, ocorre após novos ataques a embarcações no Golfo e declarações do líder supremo iraniano defendendo a manutenção do fechamento do Estreito de Ormuz. Esse cenário tem levado investidores a reduzir exposição a ativos de risco e buscar proteção na moeda americana.
Em paralelo, o movimento também tem provocado uma reprecificação das expectativas para a política monetária nos Estados Unidos, com o mercado adiando de julho para setembro o início do ciclo de cortes de juros pelo Federal Reserve, ao mesmo tempo em que os rendimentos dos Treasuries voltam a subir, dando mais força ao dólar no exterior. No plano doméstico, o movimento encontra impulso adicional no IPCA de fevereiro acima do esperado (0,70%), reforçando a cautela em relação ao processo de desinflação e levando à abertura da curva de juros no Brasil, com o mercado reduzindo apostas de um corte mais intenso da Selic na próxima reunião do Copom.
Em síntese, o mercado vem digerindo uma serie de fatores como combinação de choque geopolítico, petróleo elevado, dólar globalmente mais forte e maior cautela com a inflação local, operando em modo defensivo e penalizando ativos de risco.







