Dólar operou sem direção definida ao longo da sessão, em meio a um ambiente de cautela e baixa convicção antes do principal evento do dia. O movimento, no entanto, ganhou força após a decisão do Federal Reserve de manter a taxa de juros inalterada, como amplamente esperado, e, principalmente, após as declarações do presidente Jerome Powell, que adotou um tom mais duro ao reforçar que “se não houver progresso na inflação, não haverá corte de juros”.
Essa postura indicou que, embora tenha havido avanço no processo desinflacionário, ele não se encontra no "ritmo desejado”. A comunicação foi interpretada como mais hawkish, levando a uma abertura da curva de juros nos Estados Unidos e a uma reprecificação das expectativas de política monetária. Com isso, o mercado passou a ver dezembro como o momento mais provável para o primeiro corte de juros pelo Fed. Como resultado, o dólar acelerou o movimento de alta no exterior, com o DXY renovando máximas próximas de 100 pontos e com o real acompanhando o movimento.
Destaque na mudança na comunicação do Federal Reserve ao longo das últimas reuniões. Após um período em que o foco do FED esteve na perda de dinâmica do mercado de trabalho e da criação de vagas de setor privado americano, o discurso recente passa a colocar a dinâmica da inflação novamente no centro da função de reação do Fed. A mensagem de Powell reforça que, apesar de algum progresso, o processo desinflacionário ainda é insuficiente o que indica um Fed menos disposto a antecipar cortes de juros e mais dependente de evidências de desaceleração dos preços.





