O dólar se encaminha para o fechamento em leve alta frente ao real nesta quarta-feira. O grande assunto que dominou o noticiário foi a divulgação do CPI de setembro. O índice cheio subiu 0,6% no mês, em linha com a mediana das projeções, mas acelerou para 3,7% em doze meses, levemente acima da expectativa de 3,6%, com a gasolina respondendo por mais da metade da alta mensal. O ponto mais sensível, porém, foi o núcleo, que exclui alimentos e energia: avançou 0,3% no mês, acima dos 0,2% esperados, e 2,6% em doze meses, contra projeção de 2,5%. A combinação de núcleo acima do esperado e aceleração anual, com a inflação ainda distante da meta de 2%, reforçou a leitura de que os preços seguem como prioridade do Federal Reserve, que elevou os juros em setembro, e ampliou as apostas em nova alta ainda em outubro.
O Ibovespa abriu em queda mais intensa acompanhando a piora em Nova York, mas foi recuperando terreno ao longo do dia e caminha para o encerramento perto da estabilidade. Além do vetor externo, pesou a realização de lucros após o forte avanço acumulado na semana anterior, que levou o índice ao recorde nominal. A sustentação veio do petróleo, em meio à escalada de tensões no Estreito de Ormuz após ataques a embarcações, o que manteve as ações da Petrobras entre as maiores altas e garantiu suporte ao índice. No sentido oposto, Vale, grandes bancos e varejistas operaram no vermelho, com o índice de volatilidade da B3 em alta em dia de vencimento de opções sobre o Ibovespa.
Em Nova York, os principais índices seguem para o fechamento em queda, com o S&P 500 em baixa e perdas mais intensas entre as empresas de tecnologia e os papéis de semicondutores, mais sensíveis ao avanço dos juros longos. A probabilidade implícita de uma alta de juros pelo Fed em outubro saltou para cerca de 37%, ante 22% de ontem. A temporada de balanços dos bancos também esteve no radar, com o Bank of America reportando recuo de lucro no trimestre e o Morgan Stanley superando a mediana das projeções do mercado.



