Carta Mensal de Investimentos Maio/24

Análise mensal completa sobre o mercado de investimentos no exterior produzida pelo time de research.

por

Paula Zogbi

8 min.

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Publicado em

19/11/2024

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Tempestade em abril pode anteceder calmaria em maio?

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O início do segundo trimestre foi marcado por mudanças nas expectativas dos agentes econômicos. Em abril tivemos o acirramento da crise no Oriente Médio, com ataques entre Irã e Israel, que aumentaram as percepções de risco global, pressionando preços do petróleo e fortalecendo a moeda americana. No entanto, mais uma vez, foram as perspectivas para a política monetária nos EUA que concentraram as atenções e dominaram as análises sobre as diversas classes de ativos espalhadas pelo planeta.

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Recapitulando, o ano iniciou com muitos analistas externando otimismo e com o mercado comprado com a ideia de que os juros começariam a cair já no primeiro trimestre. Além disso, os contratos futuros sugeriam um orçamento de cortes que poderia chegar a 1,0 ou 1,25 ponto percentual. Esse quadro já começou a mudar após a primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Fomc). No comunicado da reunião de janeiro apareceram 3 mensagens que deram o tom para o primeiro trimestre: 1. a evolução dos indicadores de inflação e atividade no segundo semestre de 2023 foi muito positiva; 2. o ciclo de altas na taxa de juros foi encerrado; 3. os participantes do Fomc precisam ganhar uma confiança extra de que a inflação de fato caminha para a meta de 2% de forma sustentável antes de iniciar o próximo ciclo de afrouxamento monetário. Ou de forma resumida: estamos indo bem, mas ainda não ganhamos a guerra. A leitura do mercado foi a de que os juros só começariam a cair no meio do ano e que o orçamento de cortes provavelmente seria de 0,75 ponto percentual. O pouso suave permaneceu como cenário base, mas a chamada última milha do combate à inflação mostrava-se mais acidentada do que o antecipado.

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Esse quadro durou até o final de março, mas dados fortes no mercado de trabalho, inflação e varejo  no mês passado resultaram em mais recalibragem de expectativas. A nova interpretação é que o início do ciclo de redução nas taxas de juros ficou “indeterminado” e que muito provavelmente o orçamento de cortes será menor do que imaginávamos. Com isso, exagerando o argumento, a expressão consagrada em 2023 dos “juros mais altos por mais tempo” corre os riscos de virar “juros mais altos para sempre”. Objetivamente, o mercado passou a apostar que os cortes podem começar a partir de setembro e possivelmente não passarão de 0,5 ponto percentual.

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Isso tudo resultou em movimentos amargos para os mercados globais. O S&P500 caiu 4,2% em abril, em seu primeiro declínio mensal de 2024; o Nasdaq perdeu 4,5% e o ETF de juros longos (TLT) desvalorizou 6,5% em meio às altas nas taxas de juros. O setor imobiliário, bastante sensível a juros (falamos mais sobre isso nessa live), teve a pior performance entre todos os segmentos da bolsa americana no mês, com queda de 8,5%. Esse era um movimento esperado por alguns players, já que a bolsa vinha apresentando desempenho forte mesmo com as mudanças contínuas (para cima) nas projeções das taxas de juros ao longo do primeiro trimestre.

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Mas o início de maio já trouxe elementos com potencial de modificar as expectativas novamente. No primeiro dia do mês, o Fomc manteve, pela sexta vez consecutiva, a taxa básica de juros no intervalo entre 5,25% e 5,5% ao ano. A decisão já era esperada e todos estavam atentos aos eventuais sinais para postergar o início do ciclo de cortes. A grande mudança no comunicado foi reconhecer a resistência da inflação nos últimos meses, o que poderia ter sido interpretado pelo mercado como a confirmação de que os juros não deverão começar a cair tão cedo e que, com os dados até o momento, o tamanho do ciclo de cortes deve ser bem mais tímido do que o anteriormente esperado.

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Por outro lado, os indicadores de atividade adicionaram elementos que podem incentivar a política monetária para outra direção. As estimativas preliminares do PIB para o primeiro trimestre apontam para uma considerável desaceleração da economia e os últimos dados de contratações vieram abaixo da média dos últimos doze meses. Na entrevista, após a reunião do Fomc, o presidente Jerome Powell mencionou que, além da queda da inflação, o enfraquecimento da atividade econômica e do mercado de trabalho, além do considerado saudável, pode ser o gatilho para a redução das taxas de juros.

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Maio certamente está iniciando de forma mais construtiva do que abril, com os mercados avaliando positivamente tanto as comunicações do Fomc como os indicadores de atividade econômica. O mês está só no início, mas é possível que traga outra reviravolta nas expectativas sobre a trajetória de juros nos EUA, dessa vez para o lado positivo. Nesse caso, será interessante observar como os mercados podem se comportar.

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Com os juros americanos nos patamares atuais, ativos de renda fixa dos Estados Unidos seguem remunerando investidores a taxas historicamente elevadas. Confira os ETFs de renda fixa mais negociados do mercado, segundo o site ETF.com

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Por que investir no exterior? | Diversificação setorial

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Diversificação é uma das principais maneiras de buscar diminuir os riscos de uma carteira de ativos.

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De forma simples, a estratégia consiste em alocar seus recursos em ativos que sejam pouco correlacionados entre si, ou inversamente correlacionados, de forma que a variação de um ativo possa ser compensada pelo desempenho de outros.

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Investir no exterior pode trazer a vantagem da diversificação de algumas maneiras diferentes, como a moeda e a geografia. Uma delas é a possibilidade de explorar empresas e setores que são pouco representados na bolsa e no mercado aqui no Brasil, como tecnologia, por exemplo. 

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Na imagem a seguir, mostramos a concentração de cada setor no ETF EWZ, que representa a bolsa brasileira, e no ACWI, um dos maiores representantes dos mercados globais dentre os fundos listados. 

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Lembre-se sempre de adequar sua exposição a ativos ao seu perfil de investidor. 

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Exposição setorial S&P500 vs Brasil (%)

Fonte: BlackRock. Data de consulta: 15/03/2024.

Gráfico do mês

Já ouviu falar que o real é uma moeda volátil? No gráfico do mês, mostramos um pouco do movimento da nossa moeda em relação ao dólar ao longo dos anos. Esse foi o tema da Live Nomad em 22/04/2024. Assista clicando aqui.

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Dólar vs. Real nos últimos 30 anos

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Time Nomad

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Paula Zogbi

Estrategista-chefe da Nomad, tem mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro, foi head de conteúdo na XP, analista na Rico e jornalista na InfoMoney e EXAME. É graduada em jornalismo pela USP e tem certificação CNPI pela Apimec.

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