Você já deve ter ouvido falar de fundos que prometem superar o mercado, ou de gestores que afirmam ter a habilidade de escolher os melhores ativos antes dos outros. Essa é a proposta central da gestão ativa, uma abordagem que tem atrativos, mas que também carrega custos e complexidades que nem sempre ficam claros para o investidor.
A gestão ativa existe na contramão da gestão passiva: em vez de replicar um índice de mercado, o gestor toma decisões de compra e venda buscando retornos acima da média. Para isso, cobra taxas mais altas e assume uma responsabilidade que poucas carteiras conseguem sustentar no longo prazo.
Mas isso não significa que a gestão ativa não tenha espaço. Para alguns perfis de investidor e em contextos específicos, ela pode ser uma aliada relevante. O segredo está em entender o que está sendo pago e quando realmente vale a pena.
O que é gestão ativa de investimentos
Na gestão ativa, um gestor ou equipe de analistas toma decisões contínuas sobre quais ativos comprar, manter ou vender. O objetivo é superar um índice de referência, como o S&P 500, por meio de análise de mercado, avaliação de empresas e antecipação de movimentos do mercado.
Esse processo pode envolver:
- Seleção individual de ações com base em análise fundamentalista (avaliação de resultados, estrutura financeira e perspectivas de crescimento de uma empresa);
- Ajustes táticos na alocação de ativos conforme o cenário macroeconômico muda;
- Estratégias de proteção de carteira (hedge) em momentos de volatilidade;
- Exposição a setores específicos que o gestor acredita que vão se destacar.
É uma abordagem que exige tempo, expertise e infraestrutura. Por isso, fundos de gestão ativa cobram taxas de administração mais altas e, frequentemente, uma taxa de performance sobre os ganhos que superarem o benchmark.
Como a gestão ativa funciona na prática
Stock picking: a arte de escolher as ações certas
O coração da gestão ativa é o stock picking, ou seja, a seleção individual de ações. O gestor analisa empresas de forma profunda: resultados financeiros, vantagens competitivas, qualidade da gestão, perspectivas de crescimento e precificação relativa ao mercado.
A lógica é que um analista dedicado consegue identificar empresas subvalorizadas antes que o restante do mercado perceba o potencial delas. Quando o mercado "corrige" essa precificação, o investidor colhe o ganho.
O problema é que o mercado americano é um dos mais analisados do planeta. Há milhares de gestores e analistas tentando encontrar essas mesmas oportunidades ao mesmo tempo, o que torna a vantagem informacional muito difícil de sustentar de forma consistente.
Timing de mercado: quando entrar e quando sair
Outra estratégia comum na gestão ativa é o timing, que consiste em tentar antecipar os movimentos do mercado para comprar na baixa e vender na alta.
Na teoria, funciona. Na prática, é uma das estratégias mais difíceis de executar com consistência, mesmo para gestores experientes. Um erro de timing em uma posição grande pode comprometer o desempenho de um ano inteiro, especialmente em mercados que se movem rapidamente como o americano.
Os custos da gestão ativa: o que realmente está sendo pago
Esse é um dos pontos mais importantes para quem está avaliando a gestão ativa e frequentemente passa despercebido.
Os fundos ativos cobram:
- Taxa de administração: incide sobre o patrimônio total independentemente do desempenho, geralmente entre 1% e 2% ao ano em fundos brasileiros com exposição ao exterior;
- Taxa de performance: cobrada sobre o rendimento que superar o benchmark, tipicamente 20% sobre o excedente;
- Custos de transação: cada compra e venda dentro do fundo gera custos operacionais que afetam o retorno final.
Esses custos compostos ao longo do tempo fazem uma diferença significativa. Um fundo com taxa de administração de 1,5% ao ano precisa superar consistentemente o índice em pelo menos esse percentual só para empatar com uma estratégia passiva de custo zero, o que já é um desafio considerável.
Gestão ativa performa melhor que passiva no longo prazo?
Essa é a pergunta mais frequente, e os dados disponíveis respondem de forma bastante direta.
O SPIVA U.S. Year-End 2025, publicado pela S&P Dow Jones Indices em 3 de março de 2026, mostra que 79% dos fundos ativos de ações de grande capitalização nos Estados Unidos ficaram abaixo do desempenho do S&P 500 em 2025, o quarto pior resultado nos 25 anos de história do estudo. Números parecidos se repetem em janelas de 5, 10 e 15 anos, quando a taxa de fundos que ficam abaixo do índice se aproxima ou supera os 80%.
Isso não quer dizer que gestores ativos nunca batem o mercado. Alguns conseguem. O problema é a consistência: o gestor que supera o índice em um ano raramente mantém esse desempenho nos anos seguintes. Separar habilidade de sorte é um dos maiores desafios da análise de fundos.
Três fatores estruturais explicam por que a gestão ativa tem dificuldade de superar o índice no longo prazo:
- O custo é um peso permanente: como os custos incidem todos os anos, independentemente do resultado, o fundo ativo começa cada ciclo em desvantagem em relação ao índice;
- O mercado é altamente eficiente: no mercado americano, onde há décadas de análise institucional, a maioria das informações disponíveis já está incorporada nos preços dos ativos;
- A concentração favorece os índices: nos últimos anos, as maiores empresas do S&P 500 têm entregado retornos acima da média, e fundos ativos que reduzem exposição a esses nomes em busca de diversificação acabam ficando para trás.
Quando a gestão ativa pode fazer sentido
Com tudo isso dito, a gestão ativa ainda tem o seu espaço em determinadas situações:
- Mercados menos eficientes: em segmentos de mercado com menos analistas e cobertura institucional, como small caps internacionais ou mercados emergentes específicos, há mais espaço para encontrar oportunidades que ainda não estão precificadas;
- Objetivos específicos de carteira: um investidor que quer exposição focada em um setor, tese ou estratégia particular pode encontrar em fundos ativos uma forma mais direta de implementar essa visão;
- Proteção em momentos de volatilidade: gestores ativos têm a flexibilidade de reduzir posições e reposicionar a carteira em momentos de crise, algo que fundos passivos não fazem por definição;
- Complemento a uma base passiva: muitos investidores sofisticados combinam as duas abordagens. A estratégia core-satellite, por exemplo, usa uma base em ETFs de gestão passiva e aloca uma parcela menor em ativos ou gestores ativos selecionados.
Como aplicar gestão ativa investindo no exterior com a Nomad
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Sem taxa de corretagem, o custo de transação de compra e venda de ações no exterior pode ser menor do que o de fundos ativos tradicionais, que cobram taxas de administração e performance. Vale considerar os demais custos de operação, como taxas de conversão.
O acesso aos ativos começa a partir de US$ 1, e para quem quer apoio especializado na montagem de uma carteira com visão global, a Nomad Wealth conta com um time de especialistas não comissionados prontos para ajudar a estruturar a melhor estratégia de acordo com o seu perfil.
Além disso, os valores mobiliários na sua Conta Investimento Nomad contam com a proteção do SIPC (Securities Investor Protection Corporation), que assegura a sua conta em até US$ 500 mil, incluindo US$ 250 mil em dinheiro.
Gestão ativa: uma escolha que precisa ser consciente
A gestão ativa tem atrativos reais. A possibilidade de superar o mercado, a flexibilidade para navegar cenários adversos e a capacidade de implementar teses de investimento específicas são características que alguns perfis de investidor valorizam muito.
Mas ela também tem um preço. E esse preço precisa ser considerado com honestidade antes de qualquer decisão. No longo prazo, a maioria dos fundos ativos não entrega o que promete, justamente porque os custos e a dificuldade de acertar de forma consistente pesam contra o resultado final.
O ideal é entender a gestão ativa como uma ferramenta, e não como uma solução universal. Usada com critério, ela pode agregar valor a uma carteira bem estruturada. Usada sem consciência dos seus custos e limitações, pode acabar reduzindo os retornos que você tanto trabalhou para construir.
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O conteúdo disponibilizado aqui não constitui ou deve ser considerado como conselho, recomendação ou oferta pela Nomad. Todo investimento envolve algum nível de risco, incluindo o risco de perda do capital principal investido. O investimento em ações norte-americanas ou a manutenção de saldo em dólares implica exposição a risco cambial. O valor dos investimentos e eventuais retornos estarão sujeitos a oscilações no momento da conversão entre moedas. O saldo em dólares não investido não gera juros nem dividendos. Rendimentos passados não são indicativos de rendimentos futuros. Siga sempre o seu perfil de investidor. A Nomad Investment Services, entidade sediada nos Estados Unidos da América (EUA), é uma corretora registrada na Securities Exchange Commission (“SEC”) e membro da Financial Industry Regulatory Authority (“FINRA”) e da Securities Investor Protection Corporation (“SIPC”). Os valores mobiliários em sua conta são protegidos em até $500.000. A SIPC não protege contra perdas de mercado. Para detalhes, visite www.sipc.org. Produtos e serviços de valores mobiliários não são segurados pelo FDIC, não são garantidos por banco e podem perder valor. Serviços intermediados por Global Investment Services DTVM Ltda. Para saber mais, acesse os Avisos Legais e o documento Parceria Global DTVM em nis.nomadglobal.com/documentos.
Todos os investimentos envolvem risco, e você pode perder dinheiro. É importante diversificar seus investimentos e considerar seus objetivos financeiros individuais e tolerância ao risco. Os principais riscos para diferentes tipos de investimento incluem:
Ações (Equities): Sujeito a flutuações do mercado; seu valor pode diminuir.
ETFs: Apresentam riscos de mercado semelhantes aos das ações e podem não acompanhar perfeitamente o seu índice. Os ETFs alavancados e inversos podem apresentar riscos mais elevados.
Esta não é uma lista exaustiva de todos os riscos. Antes de investir, revise todas as informações disponíveis e considere procurar aconselhamento de um profissional financeiro. Para divulgações completas, consulte os Fatores de Risco em nis.nomadglobal.com/documentos.





