Earnings Watch | 12 a 16 de outubro de 2026

Um resumo da última semana da temporada de resultados

por

Nickolas Lobo

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Publicado em

20/10/2026

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Bancos

JPMorgan

‍O lucro de US$15,3 bi (+6%) é robusto, mas o trimestre ficou abaixo do que o mercado esperava. O EPS e receita vieram abaixo do consenso, parte da diferença veio de US$658 mi de perdas com títulos no segmento Corporate. O ponto positivo foi o NII (lucro com juros), com uma revisão na projeção para o restante do ano subindo para ~US$106,2 bi. Asset & Wealth também foi bem, com lucro de US$1,84 bi (+11%).

O que mais chama atenção é que o CEO Jamie Dimon aparentemente está apertando critérios de crédito, o que passa a impressão de cautela com o cenário atual. Não é alarme, mas é um banco se protegendo.

Goldman Sachs

‍Foi o resultado mais impressionante entre os bancos. O EPS de US$17,01 ficou cerca de 30% acima do consenso, e a receita cresceu 23%. O principal fator que impulsionou foi a receita de trading com ações, com US$6,44 bi (+72%), o que mostra a força da franquia com hedge funds e clientes institucionais. Além disso, as taxas de banco de investimento subiram 21% a/a, sinal de que M&A e emissões estão reagindo positivamente mesmo no cenário de juros atual. O ponto de atenção foi em FICC (renda fixa, moedas e commodities) caiu 24% contra o 2T e a receita total recuou ~8% sobre o recorde anterior. A leitura é que o pico de receita de trading pode ter ficado para trás, mas a qualidade do resultado no geral é alta.

Wells Fargo

Trimestre misto. A disciplina de custos se mostrou eficiente com despesas caindo 1%, Consumer Banking lucrou +21% e Wealth +19%. Empréstimos e depósitos crescendo 11% mostram que o banco voltou a ganhar escala.

Por outro lado, a receita e o NII ficaram abaixo do esperado, o que sugere pressão de spread mesmo com volume maior registrado no trimestre. As provisões de crédito subiram 51%, para US$1,03 bi, o que não é preocupante, mas merece acompanhamento. 

Citigroup

O EPS de US$2,85 bateu o consenso com folga, e a receita de US$23,85 bi foi a maior de um 3T em dez anos. Services e Wealth cresceram 15% cada, negócios estáveis que a reestruturação de Jane Fraser (CEO) quer ampliar, então é uma boa notícia para a tese de longo prazo. A receita de capital markets caiu 13% contra o 2T, e foi com base neste número que o mercado reagiu, o que em um primeiro momento parece mais uma realização de lucro do que problema nos fundamentos.

Bank of America

O trimestre mais fraco do grupo. A multa de US$1,2 bi por falhas de prevenção à lavagem de dinheiro derrubou o EPS para US$0,91. Mesmo sem a multa, os ~US$1,08 ficariam abaixo do consenso de ~US$1,10, e a receita também ficou aquém. O resultado do NII e a manutenção do guidance de crescimento do NII sustentam a tese de juros. Banco de investimento e trading, porém, perderam força num trimestre em que os concorrentes brilharam. A reação foi de uma queda de ~5%, que foi condizente com o resultado apresentado.

Morgan Stanley

Mostrou o que tem de melhor. Wealth Management teve receita recorde de US$9,07 bi e captação líquida de US$232,4 bi, uma receita recorrente que sustenta o múltiplo premium da ação. O ponto fraco foi o banco de investimento, com apenas +2% de crescimento (abaixo do estimado), enquanto o GS cresceu 21%. 

Gestoras e corretoras

BlackRock

‍Resultado de alta qualidade. O AUM (ativos sobre gestão) recorde de ~US$15,5 tri ajuda, mas o principal é a captação: US$205 bi no trimestre e US$869 bi em 12 meses, o que equivale a ~10% de crescimento orgânico da receita de taxas. O EPS cresceu 38%, muito acima da receita (+19%), o que mostra ganho de margem. Para uma gestora desse tamanho, é uma excelente taxa de crescimento.

‍Charles Schwab

Os números operacionais foram positivos. A captação líquida apresentou um recorde de US$190,4 bi (+38%) e um crescimento de EPS de +29%. Contudo, o lado negativo é que o guidance de receita para o restante do ano deve ficar próximo do piso do consenso. 

Semicondutores

TSMC

Trimestre acima do consenso. A receita de US$46,7 bi passou do topo do próprio guidance, e o lucro cresceu 69% com margem líquida acima de 51%. O mais relevante é o guidance do 4T, de US$52,3–54,3 bi contra US$49,1 bi esperados, que mostra a demanda por IA acelerando uma revisão de quase 10% acima. Os chips de 2nm já correspondem por 8% da receita de wafers, uma escalada rápida sobre um produto ainda recente.

ASML

Talvez o resultado mais importante da semana em termos de tese. Receita recorde, margem bruta de 57,5% (acima do guidance) e guidance de margem elevado de novo. O recado central foi qualitativo, onde a gestão admitiu que a capacidade planejada para 2027–28 não atende a demanda e que clientes querem encomendar para 2029/2030. Com isso, a dúvida deixa de ser se a demanda vai durar e passa a ser quanto a empresa consegue entregar. O risco para a empresa é de execução, porque a oferta limitada também limita o upside de curto prazo. 

Saúde

UnitedHealth

O EPS ajustado de US$4,69 bateu o consenso por ~US$0,55. A Optum Health, que era o maior problema, passou de US$41 mi para US$735 mi de lucro operacional. Pontos de atenção:

  • A receita ficou estável e o Medicare Advantage perdeu 935 mil vidas no ano. A empresa está trocando volume por margem.
  • O CFO disse que os custos médicos seguem elevados.

J&J

‍A farmacêutica apresentou um bom resultado no geral. A preocupação é a MedTech: +2,5% e o segundo trimestre seguido abaixo do esperado, com pressão na China e na Europa. É o tipo de tendência que o mercado não perdoa, e a ação caiu 4–6%.
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Luxo

LVMH

O resultado mais fraco da lista. O crescimento orgânico desacelerou para 1% no trimestre (era 3% no 2T). A divisão principal, Moda e Couro (Louis Vuitton e Dior), caiu 5%, sendo que é a maior fonte de lucro da companhia. A empresa culpou o consumo na China, enquanto EUA, Europa e Japão foram bem. A dúvida que fica no mercado é se a trava de crescimento é só por conta do ciclo chinês ou também cansaço de marca após anos de aumentos agressivos de preço.

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Nickolas Lobo

Analista de Research da Nomad, com 5 anos de experiência no mercado financeiro, com passagem pela Spectra, Banco Modal e mais de 3 anos trabalhando em equities globais, principalmente no mercado americano, na RXZ Investimentos. É graduado em Economia pelo Insper

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