Toda eleição no Brasil vem acompanhada da mesma pergunta no mercado financeiro: o dólar vai subir ou descer?
Não existe uma regra fixa, mas existe um padrão. Segundo um levantamento da Nomad Insights com dados da Factset realizado em setembro de 2026 sobre as seis últimas eleições presidenciais (2002 a 2022), o dólar costuma ficar mais volátil perto das urnas, especialmente entre o primeiro e o segundo turno, e tende a se valorizar após o pleito
Veja o que os dados mostram e o que isso pode significar para 2026.
Por que o dólar fica instável em ano de eleição
Eleições definem quem vai comandar as políticas econômica, monetária e fiscal do país nos anos seguintes. Enquanto esse resultado é incerto, o mercado tenta antecipar e precificar diferentes cenários de governo, e essa reprecificação constante de expectativas costuma gerar oscilações mais bruscas nos principais indicadores financeiros do país, com destaque para o Ibovespa e para a cotação do dólar frente ao real.
Esse aumento de volatilidade reflete a forma como o mercado reage à incerteza sobre o futuro das diretrizes econômicas do país, exigindo dos investidores um prêmio de risco maior para manter capital em ativos domésticos durante o período eleitoral.
O dólar fica mais volátil entre o 1º e o 2º turno
Na média histórica das eleições analisadas, o levantamento identificou um aumento moderado da volatilidade do dólar justamente na janela entre o primeiro e o segundo turno. Esse é o momento em que os investidores costumam buscar mais proteção e reajustar posições, já que a disputa política atinge o seu ponto mais tenso.
Em 2026, até a data de corte da análise, o dólar vinha apresentando uma dispersão relativamente baixa ao longo do ano. Mas esse padrão pode mudar caso a eleição tenha um segundo turno, como o histórico sugere.
O dólar se valoriza mais antes ou depois da eleição?
Olhando para o retorno acumulado do dólar frente ao real, a média histórica de 2006 a 2022 mostra que o dólar se valorizou em todas as janelas de tempo analisadas.
Em 2026, antes do primeiro turno, o resultado ficou abaixo dessa média histórica: -2,9% em 12 meses, 0,8% em 6 meses e 0,5% em 3 meses. Segundo o levantamento, parte dessa diferença está ligada a fatores externos que não têm relação direta com o calendário eleitoral brasileiro, como o agravamento de tensões geopolíticas envolvendo o Irã, que adicionou ruído aos mercados globais. Ainda assim, os números reforçam que a alocação e a exposição ao dólar continuam sendo estratégias que sempre valem a pena para o investidor.
Além de os dados recentes mostrarem um avanço contínuo do dólar sobre o real no acumulado dos últimos seis meses, a análise histórica de ciclos passados revela um padrão estrutural ainda mais relevante: uma valorização expressiva da moeda americana frente à divisa brasileira nas janelas de 3, 6 e 12 meses após a realização das eleições.
Dessa forma, manter proteção em moeda forte se confirma não apenas como uma defesa indispensável contra as oscilações do período de votação, mas também como uma posição tática essencial para capturar o movimento de alta que costuma se consolidar no cenário pós-eleitoral.
Por que diversificar investimentos durante o período eleitoral
Segundo o levantamento, depender só do mercado brasileiro durante as eleições tem sido um teste para a paciência do investidor. O Ibovespa apresentou mais volatilidade nesses períodos, mas isso não se traduziu em retorno proporcional para quem ficou exposto só à bolsa brasileira.
Já o câmbio mostrou uma dinâmica diferente: mesmo com oscilações no curto prazo, o dólar vem registrando uma valorização mais consistente frente ao real, principalmente quando se olha para o histórico de retornos nos meses seguintes às eleições.
Por isso, o relatório reforça que diversificar os investimentos, incluindo uma parcela em moeda forte, deixou de ser apenas uma recomendação teórica e passou a ser vista como um mecanismo de defesa em momentos de instabilidade política.
Vale lembrar que isso não significa que investir em dólar garante ganhos. Toda aplicação em moeda estrangeira também está sujeita a oscilações, e o comportamento do mercado pode ser afetado por fatores fora do controle do investidor, como eventos internacionais.
Para entender melhor como funciona essa estratégia, vale conferir como investir no exterior e como se posicionar em momentos de volatilidade extrema.
Uma forma prática de colocar essa diversificação em prática é pela Conta Investimento Nomad, que permite acessar produtos de investimento em dólar direto do celular.
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