Roteiro em Ushuaia com Deco Neves: dicas reais de quem foi ao fim do mundo
Roteiro de 5 dias em Ushuaia com dicas de quem foi: aluguel de carro 4x4, neve, Cabo San Pablo, onde comer e um ranking de empanadas. Confira!
Fim do mundo é o tipo de nome que faz a imaginação viajar. Ele já traz aquele sentimento de aventura no peito e o friozinho na barriga, que é uma das coisas mais gostosas de preparar qualquer viagem.
Eu levei 51 pessoas para Ushuaia, na Argentina, na expedição empresarial mais ousada da minha vida, para celebrar os 20 anos da Bolovo®. Mas você não precisa de tudo isso. As dicas deste roteiro servem para viajantes em qualquer número e em qualquer estação.
Os lugares clássicos você encontra em qualquer pesquisa, e eu acho que você deve passar por eles. Se quiser começar por eles, veja o que fazer em Ushuaia. Aqui eu vou mostrar os cantinhos: os lugares que vi com os meus olhos e senti no coração. Daí pra frente, você vai que vai!
Em resumo, eu fiquei 5 dias, rodei de 4x4, brinquei na neve, naveguei até um farol e provei empanada em quase toda parada. No fim, tem até um ranking sem credibilidade nenhuma delas. Continue lendo e monte o seu roteiro.
- Resposta curta: 5 dias bastam para o essencial em Ushuaia, mas o Deco voltaria com mais calma: deu tempo de alugar carro, esquiar, passear de barco e comer bem.
- Como chegar: LATAM e GOL passaram a operar voos sem escala de São Paulo, em rotas sazonais. Sem voo direto na sua data, dá para fazer escala em Buenos Aires.
- Carro: alugar um 4x4 dá acesso aos melhores cantos da Terra do Fogo fora da cidade, como o Camping Río Olivia e o Cabo San Pablo.
- Neve: Cerro Martial para quem está começando, Cerro Castor para quem já esquia e esquibunda no Husky Park para quem nunca viu neve.
- Comer e beber: Dieguitos, El Almacén e La Cabana Beer Point, além de um ranking de empanadas e do alfajor Rasta de chocolate amargo.
- Com a Nomad: use o Cartão de Débito Internacional Nomad onde a bandeira Visa é aceita e leve o Nomad Chip para chegar com internet.
Antes de ir: o básico para planejar Ushuaia
Antes das histórias, vai o essencial: como chegar, quanto tempo ficar, onde dormir e o que colocar na mala.
Como chegar
Nas últimas temporadas, LATAM e GOL passaram a operar voos sem escala de São Paulo até Ushuaia. Essas rotas são sazonais, então confira as datas direto nos sites das companhias antes de comprar. Se não houver voo direto na sua data, dá para chegar com escala em Buenos Aires.
Quanto tempo ficar
Eu fiquei 5 dias e voltaria com mais calma. Foi tempo de alugar carro, esquiar, passear de barco e comer muito bem, mas deu vontade de ficar mais.
Se você ainda está desenhando a viagem pela Argentina inteira, o guia de viagem para a Argentina ajuda a ver o todo. E, para fazer as contas antes de decidir quantos dias reservar, veja quanto custa uma viagem para a Argentina.
Quando ir
Nós fomos na época de neve, e foi isso que moldou o roteiro. Mas Ushuaia muda bastante ao longo do ano. Se você quer outra experiência, confira a melhor época para ir para a Argentina.
Onde ficar
A gente fechou um hostel para o time todo. Você vai achar um lugar melhor para o seu perfil :) Se for alugar carro, vale confirmar se a hospedagem tem onde estacionar.
O que levar na mala
Esta é a minha lista:
Para não esquecer nada e aproveitar bem o espaço, veja as dicas de como arrumar a mala para uma viagem internacional.
Seguro viagem para a neve
Se você pretende esquiar, confira se a apólice cobre esportes de neve. Vale ler com calma o seguro viagem para a Argentina antes de contratar.
1. Alugue um 4x4 e compre sua liberdade

Minha primeira recomendação é alugar um 4x4. Os melhores cantos da Terra do Fogo ficam fora da cidade, e o carro faz de você o dono do seu tempo e do seu caminho. Eu não abriria mão disso. A gente foi de Ford Ranger, e o rolê foi muito massa.
Antes de fechar, pergunte à locadora quais documentos ela pede e qual forma de pagamento e de caução ela aceita. Se ela exigir algo além da sua carteira de motorista, veja como funciona a Permissão Internacional para Dirigir. E, para entender o passo a passo geral, leia o guia de alugar carro no exterior.
Dois lembretes de quem curte estrada: vá com calma quando houver neve ou gelo na pista, e, se for beber, não dirija.
2. Camping Río Olivia: o cantinho que a gente achou no caminho

Esse lugar nem estava no plano. A gente vive atrás de um lugar digno de uma boa foto ou vídeo, o clássico “take” da Bolovo®, e, no meio da estrada, vimos uma placa de camping e decidimos entrar.
O lugar era bonito daquele jeito que parece filme. E aqui vai a dica: não fique no primeiro lugar que aparecer, procure o seu cantinho. Quem procura acha!
O nosso ficou na frente de uma árvore caída, numa ilha de gelo, num rio praticamente congelado, no meio de um vale com montanhas lindas e cavalos andando pela grama e pelo gelo.
O piquenique no vale
Voltamos no próximo dia de sol, em pleno inverno, e armamos o piquenique. Aquela luz amarela linda e um sorriso na cara. Gelei umas cervejas direto no rio.
Esse lugar não é secreto, só é meio deixado de lado. Num dia de sol, se não estiver bombando de gente, eu não deixaria de passar umas horas de calma e contemplação aqui. Vai nessa!
O mergulho no rio gelado, com segurança
Aproveitei e mergulhei também. A água gelada acorda qualquer um: você sai bem mais vivo do que entrou.
Mas tem regra. Não vá sozinho, entre e saia rápido e avalie as condições do rio e do clima antes de pisar na água.
Nota da empanada: leve a sua favorita.
3. Desdêmona e Cabo San Pablo: o tempo na frente dos seus olhos
Esse é o lugar que eu queria muito ter ido. Mas, com 50 cabeças junto, não rolou. Mesmo assim, vai por mim!
A umas 3 horas de Ushuaia fica o Cabo San Pablo e o naufrágio do Desdêmona, um navio que encalhou em 1985 e lembra como o tempo passa e tudo muda. Eu sigo dizendo: de carro, você vai mais longe e encontra mais coisas pelo caminho. Queria ter ido.
Parada obrigatória no caminho: La Unión Panadería, em Tolhuin
No caminho, garanti com um amigo, o Gian, uma recomendação de elite para uma empanada. Ele disse que é a melhor de todas que já comeu por lá, e eu acredito nele. Compre mais de uma.
Nota da empanada: 9. Eu não provei, mas confio nos meus amigos.
4. Neve em Ushuaia: onde esquiar e o que fazer se você nunca viu neve

Se você for na época de neve, não tem como não esquiar. Para ver o que mais a estação oferece, veja o que fazer na Argentina no inverno. Em Ushuaia, são duas montanhas bem massa.
Cerro Martial: para quem está começando
Se você está começando ou tem pouco tempo, fique pela cidade mesmo. A pista é fácil, mas ótima para começar. Levei um grupo de mais de 10 pessoas do time da Bolovo®, e todo mundo aprendeu. Segundo o que vi, o preço é bem mais em conta que o do Cerro Castor.
O restaurantezinho da montanha salva com uns lanches, aquela empanada para voltar a cor nos olhos e uma cerveja para brindar vendo o vale da cidade com o mar ao fundo.
Nota da empanada: 6,75. Estava quente, e eu estava com a mão congelada. Vazou caldo, mas é melhor que seca.
Cerro Castor: para quem já esquia
Se você já pratica e quer mais pistas para descer rápido na neve, é aqui. O Cerro Castor fica a cerca de 26 km do centro, uns 30 minutos de carro, e entrega a experiência pró de neve. Se quiser comparar outras opções do país, veja os melhores lugares para esquiar na Argentina.
Nota da empanada: fico devendo, não consegui ir.
Esquibunda no Husky Park: o favorito da galera
Se você não tem ideia do que fazer na neve, uma coisa foi unânime no time: o esquibunda, o nosso “ski bunda”! A galera passou horas no primeiro contato com a neve, só diversão e risada. A gente foi ao Husky Park, mas tem outras opções.
Nota da empanada: 8,15. Fritinha, com molhinho fera.
Aluguel de equipamento
Tem várias lojas de aluguel na cidade. Passe lá na véspera, antes do jantar, e veja o que vale mais para você. Pelo que vi, a diferença de preço entre elas é pequena.
5. Onde comer e beber em Ushuaia: as dicas do Dekera

Dekera é meu apelido, e estas são as dicas dele. Os lugares famosos estão em todas as listas. Estes aqui são uns diferentes, onde a gente viveu coisas legais. Se são os melhores, quem sou eu para dizer.
Dieguitos: milanesa do tamanho da mesa
Não deixe a estética do Instagram te enganar: esse pico tem alma. Eu gosto de lugar onde, mais do que comida, te servem histórias. Já começa com o dono explicando o tamanho da porção.
Tentamos seriamente vencer, mas acabamos embalando a derrota e levando para casa um belo pedaço de milanesa para consumir em horários nada fitness. E ainda tem a história da camiseta assinada pelo Carlitos Tevez no local.
A estratégia: tome café da manhã, pule o almoço, passe o dia no lanchinho, chegue às 18h, faça seu nome e vá hibernar.
Nota da empanada: 7. Ela vem de entrada sem você pedir, para ir abrindo os caminhos para o prato jurássico.
Ramos Generales, El Almacén: entramos pela estética e ficamos pelo pinguim
A casinha cheia de quinquilharia na avenida da costa chama atenção de cara. Tinha muita sobremesa, mas o momento era de cerveja. A gente estava fazendo conta e o garçom mandou: “Vai no Pinguim e divide.”
Falou e disse, chefe. Veio uma caneca de 1 litro em formato de pinguim, com a cerveja saindo pelo bico. Foi o chopão que fez a viagem de todo mundo. Destaque também para o vermute tônica.
Nota da empanada: o álcool me fez esquecer.
La Cabana Beer Point: a cerveja do pós-neve
Depois da neve e do gelo, uma gelada vai bem. Saindo do Martial, paramos numa cervejaria com várias cervejas feitas ali mesmo. É mais hypadinha e da moda, mas era a vibe para ficar falando do dia de neve com a galera. A empolgação pós-sessão é um dos melhores momentos.
Nota da empanada: 7,4. Sólida, com pimenta boa. Mas eu estava com muita fome, então essa nota é enviesada.
O ranking sem credibilidade nenhuma de empanadas
Aqui vai a lista oficial, com todo o rigor científico que a fome permite:
Hors concours: Cerro Castor (fico devendo) e El Almacén (o álcool levou).
6. Qual alfajor levar?
Você encontra alfajor em qualquer kiosco ou polirrubro, como chamam as lojas de conveniência por lá. Eu caí no conto de levar um mais chique de presente e me arrependi.
O melhor, na minha opinião, é o Rasta de chocolate amargo. A cobertura tem “snap”, coisa que o Chef Sono, do Fatz® Delícias, me ensinou: é o barulhinho que o chocolate faz quando quebra. “Plec”, na minha tradução para o português.
O doce de leite flerta com o muito doce, mas segura a onda, e no lugar daquela massinha farelenta vem uma bolacha crocante. Larica absurda. Pode comprar na fé. Tinha até um sabor azul da Copa do Mundo que descia bem.
Não acredita? Truco. Duvido você achar um melhor. Achou? Me marca no @deconeves, que eu quero ver.
Quer ideias do que mais trazer na mala? Veja o que vale a pena comprar na Argentina.
É alfajor, não empanada. Mas os dois fazem uma dupla estilo Caniggia e Batistuta. Fera master.
7. O barco até o farol

Tem o passeio de barco até um dos faróis mais ao sul do planeta, para ver pinguins “fakes”. De longe, parece que são, mas nem tudo que anda como pinguim é um.
Num dia sem vento e de sol, como o nosso, foi um dos pontos altos da viagem. É lindo. Só não me deixaram nadar, e eu fiquei triste.
No barco tem serviço de bar. Tomamos um belo Cynar e uma cerveja.
Nota da empanada: 5,8. Pedi uma, e não fez muito sucesso. Estava sequinha, mas ruim eu não ousaria dizer. No barco, a roleta da sorte das empanadas muda fácil com a maré. Teste a sua!
Dicas Nomad para a sua viagem a Ushuaia

Para deixar a parte prática da viagem mais simples, a Nomad separou três dicas:
- Pague com o Cartão de Débito Internacional Nomad. Você adiciona saldo em dólar na Conta Internacional Nomad e usa o Cartão de Débito Internacional Nomad onde a bandeira Visa é aceita. No momento em que você passa o cartão, o pagamento é convertido para a moeda local, e você acompanha tudo pelo app. Veja o passo a passo em como usar a Nomad na Argentina;
- Confira as condições de saque no app antes de viajar. Os caixas eletrônicos também podem cobrar taxas próprias, então vale se informar antes de precisar;
- Fique conectado com o Nomad Chip. O Nomad Chip é um eSIM para você chegar com internet, e você acompanha seus dados pelo app. Nas estradas mais isoladas da Terra do Fogo o sinal pode oscilar, então baixe mapas offline antes de sair da cidade. Para entender como escolher, leia o guia de chip internacional para a Argentina.
O que fica depois do fim do mundo
Eu fiquei apenas 5 dias, num bonde de 51 pessoas, e fomos muito bem tratados no fim do mundo. Ushuaia é um lugar para onde eu voltaria em outra época do ano, com uma viagem mais individual: mais caminhada no meio do mato e mais lugares para nadar :)
Se esse também é o seu estilo, leia o diário de viagem da Jéssica, que foi sozinha ao fim do mundo. E, se quiser esticar a viagem pela Patagônia, veja o que fazer em El Calafate.
Espero que isso tenha te animado a sair por aí atrás de umas histórias para contar. Obrigado por ter lido até aqui e obrigado, Ushuaia, por todos os bons momentos. Um abraço, e nos vemos pela estrada!
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