O mercado financeiro global oferece diversas possibilidades para quem busca diversificação da carteira e proteção de seus ativos.. Entre os instrumentos mais versáteis e sofisticados estão os derivativos. Eles podem parecer complexos à primeira vista, mas entender seu funcionamento abre portas tanto para estratégias de proteção (hedge) quanto para especulação.
No entanto, é importante ressaltar que, por sua natureza, os derivativos exigem conhecimento e uma boa estratégia de gerenciamento de riscos. Este artigo é o seu ponto de partida para entender o que são, como funcionam e quais cuidados você deve ter antes de operar com esses ativos no exterior.
O que são derivativos?
De forma bem direta, um derivativo é um contrato financeiro cujo valor "deriva" de um ativo-base, conhecido como ativo subjacente. Em outras palavras, ele não tem um valor próprio, mas sim um valor que está atrelado à performance de outro ativo no mercado.
Ativo subjacente: a base de tudo
O ativo subjacente pode ser praticamente qualquer coisa que tenha um valor que flutua no mercado. Os mais comuns são:
- Ações: Contratos que derivam do preço das ações de empresas listadas na bolsa de valores;
- Moedas: O valor do contrato acompanha a variação cambial entre moedas, como o dólar e o real;
- Commodities: Produtos básicos como petróleo, ouro, café e soja;
- Índices: O contrato deriva do desempenho de um índice de mercado, como o S&P 500, que representa as 500 maiores empresas dos EUA;
- Taxas de juros: Contratos que acompanham as flutuações das taxas de juros, como a taxa do FED (o banco central americano).
Para que servem os derivativos: hedge e especulação
Os derivativos são utilizados no mercado com duas finalidades principais:
- Hedge (Proteção): Essa é a função original dos derivativos. O
hedge é uma estratégiapara mitigar os efeitos de oscilações negativas do mercado. Por exemplo, um investidor com muitas ações de tecnologia pode usar derivativos para se proteger de uma possível queda no setor; - Especulação: Aqui, o objetivo é buscar rentabilidade com as variações de preço do ativo subjacente. O investidor não busca proteção, mas sim apostar em um movimento de alta ou de baixa para rentabilizar seu capital. É uma operação com maior potencial de retorno, mas também de maior risco.
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Como os derivativos funcionam no mercado financeiro global?
Para operar com derivativos, é preciso entender alguns conceitos operacionais que são a chave para seu funcionamento.
Onde são negociados? Bolsas vs. mercado de balcão (OTC)
Os derivativos podem ser negociados em dois ambientes principais:
- Bolsas de Valores: Ambientes organizados e regulados, como a Chicago Mercantile Exchange (CME) nos EUA, onde os contratos são padronizados em relação a quantidade, qualidade e vencimento;
- Mercado de Balcão (OTC - Over-the-Counter): Negociações feitas diretamente entre duas partes, sem um intermediário central. Os contratos OTC são flexíveis e personalizados, mas geralmente possuem menor liquidez e maior risco de contraparte.
O poder (e o perigo) da alavancagem
Uma das características mais marcantes dos derivativos é a alavancagem. Ela permite que você negocie um volume financeiro muito maior do que o capital que realmente possui. Isso acontece porque, para operar, você precisa depositar apenas uma fração do valor total do contrato, a chamada margem de garantia.
A alavancagem pode pode ampliar os ganhos potenciais, mas o contrário também é verdadeiro: as perdas podem ser igualmente ampliadas, o que significa que é possível perder mais do que o valor inicialmente investido.
Margem de garantia e ajustes diários
Para operar em mercados futuros (um tipo de derivativo), a corretora exige uma margem de garantia. Esse é um valor depositado para cobrir possíveis prejuízos. Diariamente, sua posição é atualizada conforme a variação do mercado, em um processo chamado ajuste diário.
Se você tiver lucro, o valor é creditado. Se tiver prejuízo, é debitado da sua margem. Caso a margem atinja um nível crítico, a corretora pode exigir um depósito adicional ou encerrar sua operação para evitar perdas maiores.
Principais tipos de derivativos
Existem quatro tipos principais de derivativos, cada um com suas particularidades.
Contratos futuros (Futures)
Contratos futuros são acordos padronizados para comprar ou vender um ativo subjacente em uma data futura por um preço pré-definido. Quem compra um contrato futuro aposta na alta do ativo, enquanto quem vende aposta na baixa. São muito comuns para negociar índices (como futuros de S&P 500), moedas (futuros de dólar) e commodities (futuros de petróleo).
Opções (Options) – Calls e Puts
Opções são contratos que dão ao titular o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender um ativo subjacente por um preço determinado (strike) até uma data de vencimento. Para adquirir esse direito, o investidor paga um valor chamado de prêmio.
Opções de Compra (Call): apostando na alta
Uma Call dá o direito de comprar o ativo subjacente. É usada por quem acredita que o preço do ativo vai subir. Se a previsão se concretizar, o investidor pode exercer seu direito de comprar o ativo por um preço menor que o de mercado ou vender a opção por um prêmio mais alto, lucrando com a operação.
Opções de Venda (Put): protegendo-se da baixa ou apostando nela
Uma Put dá o direito de vender o ativo subjacente. Ela serve para duas estratégias principais: proteger uma posição contra quedas (hedge) ou especular, apostando na desvalorização de um ativo para lucrar com a baixa.
Swaps
Swaps são acordos em que duas partes trocam fluxos de caixa futuros com base em condições pré-estabelecidas. Os exemplos mais comuns são o swap de moedas, usado para proteção contra a variação cambial, e o swap de taxas de juros, onde se troca uma taxa fixa por uma flutuante, ou vice-versa.
Contratos a Termo (Forwards)
Semelhantes aos contratos futuros, os contratos a termo também são acordos de compra e venda de um ativo em uma data futura por um preço combinado. A principal diferença é que os contratos a termo não são padronizados e são negociados no mercado de balcão (OTC), o que os torna mais flexíveis, mas menos líquidos.
Dicas para investir em derivativos no exterior
Considerando a complexidade desses ativos, alguns passos são indispensáveis antes de iniciar suas operações.
A importância do estudo antes de operar
O conhecimento é sua principal ferramenta. Antes de começar a investir em ativos internacionais, especialmente derivativos, dedique tempo para entender a fundo o funcionamento de cada contrato, os riscos envolvidos e as dinâmicas do mercado.
Definição de estratégia: hedge ou especulação
Seu objetivo guiará suas escolhas. Você quer proteger seu patrimônio com a dolarização de patrimônio ou buscar lucros com movimentos de curto prazo? Ter uma estratégia clara é fundamental para tomar decisões alinhadas ao seu perfil de investidor.
A indispensabilidade do gerenciamento de risco
É importante entender o potencial de perda de cada operação e utilizar ferramentas como ordens de stop para limitar prejuízos. O gerenciamento de risco é o que separa a especulação calculada da aposta sem fundamento.
Comece com pouco e opere em plataformas seguras
Comece com um capital menor para ganhar experiência sem expor uma grande parte do seu patrimônio. Opte por corretoras reguladas e com boa reputação no mercado, que ofereçam plataformas robustas e seguras para suas operações.
Considere os custos envolvidos
Fique atento a todos os custos da operação, como taxa de conversão, encargos, taxas de corretagem, emolumentos da bolsa e impostos sobre os lucros. Esses valores impactam diretamente a sua rentabilidade final.
Os derivativos são, sem dúvida, instrumentos poderosos. Com o conhecimento adequado e uma estratégia bem definida, eles podem ser instrumentos que podem compor uma carteira globalizada e diversificada. Desvendar o mercado de derivativos é um passo importante na sua jornada de investidor global. Continue estudando e explorando as possibilidades para tomar decisões mais informadas para o seu futuro financeiro.
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