
A decisão dos Bancos Centrais americano e brasileiro, na última quarta-feira, motivou poucas reações no mercado. Como esperado, o Federal Reserve manteve a taxa básica de juros americana inalterada entre 4,25% e 4,50%. Já no Brasil, embora as expectativas estivessem ligeiramente divididas, o aumento de meio ponto veio em linha com o esperado.
Historicamente, o patamar atual da Selic não está longe do padrão. Embora a taxa de juros brasileira tenha se mantido em valores mais baixos em um passado recente, o gráfico desta semana mostra que a taxa de 14,25% não é inédita — consequência de um ambiente mais inflacionário por padrão.
Do outro lado, a curva americana continua em um patamar que há muito tempo não era visto nos Estados Unidos. Desde 2008, o nível de juros americano se manteve próximo a zero, com breves exceções. O movimento é resultado de uma busca pelo controle da inflação após a pandemia, e os preços vinham apresentando sinais de trégua ao longo de 2024, abrindo espaço para um corte pelo Fed no ano passado. Mas novos componentes entraram no radar nos últimos meses.
Olhando para frente, o desafio do Fed é que a inflação causada por tarifas é diferente de um aumento de preços por excesso de demanda. Subir juros desestimula o consumo e a tomada de crédito, mas não ajuda a baixar os aumentos nos preços causados por tarifas. Ao mesmo tempo, baixar os juros para evitar uma desaceleração econômica pode reforçar a inflação pelo lado da demanda. Powell foi enfático em dizer que a economia permanece em boa forma e que ainda não é possível antecipar de forma precisa o que virá pela frente. Em suas palavras, o comitê não tem pressa: esperar, observar e assistir o desenrolar dos fatos parece ser a melhor estratégia do momento. Com isso, embora exista uma expectativa de corte de 0,75% a 1%, ainda é incerto presumir qualquer ação antes de termos dados mais conclusivos.
Já no Brasil, os próximos passos dependem em parte de como a inflação irá reagir sob o cenário atual e qual será o posicionamento do governo em relação ao comportamento fiscal durante os próximos 2 anos, com eleições no radar.






