Todo ano, ao anunciar os resultados da Berkshire Hathaway, Warren Buffet escreve uma carta a seus sócios (acionistas da Berkshire). Nestas cartas ele tenta descrever sobre o momento do mercado e sempre passa alguns bons insights sobre sua lógica ao investir.

A seguir, sintetizamos alguns pontos contidos na última carta e que podem auxiliar você a investir.

Gestão patrimonial

É importante ressaltar que, como deve ser feito em qualquer tipo de gestão, ao tomar decisões sobre investimentos e desinvestimentos relacionados a sua empresa Berkshire Hathaway, Warren Buffet considera que todo o seu patrimônio está ali. Ou seja, mais do que um ativo dentre vários, Buffet entende que a Berkshire é o único veículo de investimento para uma parcela relevante de seus sócios.

Pode parecer um detalhe, mas esse posicionamento é o que direciona todas as demais decisões do Buffet. Não é aquela visão de investimento como cassino, de tentar ganhar o maior retorno possível. Mas, uma lógica sólida de buscar maximizar o retorno, sem se expor a perdas permanentes de capital.

Visão de portfólio

Não há um capítulo específico sobre isso, mas juntando os argumentos em vários pontos da carta, é possível identificar alguns aspectos relevantes da estratégia da Berkshire.

  1. As quatro joias da família: Buffet enumera os quatro principais ativos da companhia por valor e qual o papel que eles têm em seu portfólio:
    A. O maior e mais relevante é a operação de seguros. O mais atrativo desse grupo de ativos para a estratégia da BRK é a disponibilidade de uma imensa quantia de capital a disposição;
    B. Em segundo, mas disputando de perto a colocação com o terceiro, é a BNSF. Uma operação de transporte ferroviário que detém 15% do mercado de transportes nos EUA. Trata-se de uma operação muito estável, cujo mercado atingiu uma maturidade. Apesar de não ter perspectivas de crescimento exponencial, é um grande gerador de caixa com segurança e uma remuneração justa dos ativos.
    C. Em terceiro, por enquanto, está a participação da BRK na Apple. Uma operação diferenciada no mercado de tecnologia e que permite a BRK ter uma valorização sem precisar tomar muito tempo com o dia a dia.
    D. Fechando o grupo das quatro jóias, tem a operação de energia. Um projeto bastante ambicioso de renovação de toda a rede de transmissão americana para levar a energia da região de geração renovável para os pólos consumidores. Um investimento que não irá parar de consumir caixa até 2030.

2. Quando estiver investindo em renda fixa, risco não é remédio para compensar taxas baixas (renda fixa americana não é o lugar para estar neste momento!!). Não poderia estar em melhor hora para este discurso, com as taxas longas subindo bastante logo depois da publicação da carta.

3. É importante ter bons ativos, mas não mexa muito na carteira. Alguns vão performar bem, outros nem tanto.

4. Não adianta ser um bom business se você pagar muito caro por ele. Buffet menciona um erro que cometeu em 2016 na precificação da operação da Precision Castparts (PCC). Isso gerou um prejuízo, em 2020, de US$ 11 bilhões.

“Eu acredito que estava certo ao concluir que a PCC iria, ao longo do tempo, ter bons retornos sobre os ativos de suas operações. Eu estava errado, entretanto, ao estimar o lucro futuro e, consequentemente, errado no cálculo do preço apropriado a pagar pelo negócio” – Warren Buffet.

5. Cuidado com “ilusões”. Ilusões de investimentos podem continuar por um longo tempo. Wall Street ama as taxas que as transações oferecem e a imprensa adora as histórias que surgem desses casos de “sucesso”. Em um certo ponto, a própria valorização da ação passa a ser percebida como prova de que essa ilusão seria realidade.

Feito é melhor do que perfeito

Em uma grande demonstração de que o mantra da inovação não é algo tão inovador assim, o metódico e tradicional Buffet demonstrou sua capacidade de se adaptar rapidamente ao Coronavírus quando, no ano passado, o lockdown impediu a realização da conferência da Berkshire.

Em uma apresentação feita às pressas, sem nenhuma preocupação com estética, chegando no local com 45 minutos de antecedência e sem a participação de Charlie ao seu lado, Buffet se dirigiu à maior plateia virtual que sua conferência já teve. Apesar de alguns memes sobre a simplicidade dos slides, sua mensagem foi cristalina como sempre. Neste ano, promete um evento mais bem estruturado e com a participação dos demais líderes da Companhia: o sarcástico Charlie, Ajit Jain e Greg Abel.

O diferencial do mercado americano (“Never Bet Against America”)

Usando exemplos de empresas do portfólio fundadas em Omaha e Knoxville, Buffet tenta tirar os olhos dos investidores de todo o burburinho das cidades costeiras e das ações Tech, para defender o que seria na visão dele o maior valor dos EUA: a capacidade de fornecer um ambiente propício para que indivíduos – com uma boa ideia, ambição e um pouco de capital – possam sair de muito pouco e construir grandes histórias de sucesso.

“Em seus breves 232 anos de existência (…) não houve uma incubadora para liberar o potencial humano como a América” – Warren Buffet.

Após a publicação da carta deste ano, o mercado já começou a especular sobre quais serão as principais discussões no evento deste 1º de maio. Fica aqui nosso convite para que acompanhem. Iremos compartilhar o link nas nossas redes sociais.

Para os que não tiverem tido tempo de assistir ou não tenham familiaridade com o inglês, iremos apresentar uma coletânea dos tópicos abordados que podem auxiliar os investidores a tomarem melhores decisões no início da semana que vem.

Também iremos anunciar uma grande oportunidade para os brasileiros. Fiquem atentos.

Recado Importante

As informações aqui demonstradas não constituem, nem tampouco devem ser interpretadas como um conselho, recomendação, oferta e/ou solicitação para compra ou venda de ações, títulos, valores mobiliários e/ou de quaisquer outros instrumentos financeiros.

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